terça-feira, 19 de junho de 2007

Ré laxante

Este é um título que pode virar piada. Está na p.15 do Diário (clique no link para ler a matéria):

Ocidente desbloqueia fundos palestinos

Paraibanos

Lustosa da Costa (Diário) disse errada a pátria de Suassuna e rejeitou a sua na seguinte nota:

Oitentão
Não é só Pernambuco, pátria de Ariano Suassuna, que pode se orgulhar de suas glórias literárias. Nós temos razões de sobra para vanglória por sermos berço do poeta Francisco Carvalho que também chegou aos oitenta anos.

Nós, quem, cara pálida? Ariano e Lustosa, pelo que sei, são conterrâneos. Da Paraíba.

Nota cifrada

A Comunicado (Diário) publicou uma nota cujo entendimento não alcancei. Deve ter sido dirigida para um número pequeno de leitores. Se alguém souber o significado, gentileza deixar um comentário ou e-mail para andrek7a@gmail.com:

Sem castigo
Pensando bem, nem toda nudez será castigada, assim como alguns atos de vandalismo, falta de educação e incivilidade hão de passar impunes. Isso, porém, não é coisa de teatro, mas de cinema. Sem efeitos especiais. De vera. Aliás, de veras.

Dizer nada

O primeiro tópico da coluna de Edilmar Norões (Diário) parece ser um exemplo publicado num manual de como dizer nada com muitas palavras:

Estratégia de Governo
Há uma natural expectativa de todos os setores da sociedade quanto à posição a ser tomada pelo Governo do Estado tendo em vista o que vem sendo anunciado não apenas por assessores do governador Cid Gomes, mas, também, por segmentos de sua bancada na Assembléia Legislativa.
Em relação a quê?

E essa expectativa mais se justifica na medida em que neste primeiro semestre o governo praticamente limitou-se a economizar ao mesmo tempo que nutrindo os cofres estaduais com mais recursos. Aliás, com os quais promoverá as ações reclamadas por diversas áreas administrativas. Com isso, espera alavancar os projetos visando ao desenvolvimento do Ceará.
???

Zero à esquerda



Na capa do Diário, um zero à esquerda completamente desnecessário:

03 MIL veículos é a capacidade do depósito do Detran, na Maraponga.

Pedófilos miram polícia

Cuidado, polícia. Você está na mira de 700 pedófilos. Foi isso mesmo que uma das chamadas de capa do Estado deu hoje:

Polícia na
mira de 700
pedófilos

Certamente quis dizer o contrário, que os pedófilos estão na mira da polícia.

segunda-feira, 18 de junho de 2007

Saudades de Jeri




Sertanejo em Brasília

Matéria do Regional (Diário, p.2) começa assim:

Ibaretama. O suplente de vereador, Francisco Euzete Lima Pereira, está disposto a forçar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na agilização do julgamento de um processo e decidir se irá concretizar o maior sonho de sua vida, se tornar membro da Câmara Municipal desta cidade, localizada no Sertão Central. Para isso, ele viaja, amanhã, para Brasília, de ônibus. Pretende acampar em frente ao prédio do TSE e iniciar uma greve de fome.

Matéria interessante, o título é que engana um pouco.
Sertanejo fará greve de fome em Brasília

O termo "sertanejo", creio, está deslocado. Não é que não seja verdadeiro, mas ser do sertão, neste caso, não é preponderante para a matéria. Duas opções:

Suplente de vereador
Vai fazer greve de fome

Suplente faz greve de
fome para ser vereador

Falta de voto
Na mesma matéria, na peça com o título "Perseverança", é dito:

27 votos impediram que Euzete ganhasse uma vaga como vereador
A falta de voto foi que impediu que se elegesse.

Balzac definitivo


"Se a imprensa não existisse, não seria preciso inventá-la"

Honoré Balzac, numa de suas boas sacadas.
A frase inspirou o bom texto de Gervásio de Paula, no Diário. Para ler, clique aqui:

Lustosa repetitivo

Na coluna de hoje, Lustosa da Costa (Diário) escreve um dos tópicos sobre "Rifões são datados". Mais que isso, são repetidos. O mesmo tópico foi publicado no sábado. Para conferir, clique aqui.

Política Regional
Na mesma página 4, a matéria Mensagem chega à Assembléia este mês pede para comentar no e-mail regional@diariodonordeste.com.br

Phofinho


Na p.24 do Povo, a matéria "Ligações mais baratas via IP" (não achei o link) traz o seguinte texto:

SKYPE PHOFE
Era para escrever SKYPE PHONE. Deve ser porque o aparelho é fofinho.

Por cabeça

O Povo trocou as bolas nas Páginas azuis, em entrevista com Ícaro de Sousa. O erro ampliou-se porque saiu em destaque:

"Quando colocamos a produção per capta dos doutores da UFC, "
Per capita seria o termo correto.

Leia a entrevista aqui "A UFC está vivíssima"

Beira-mar

O Povo começa a grafar beira-mar com hífen, coisa que acertadamente o Diário já vinha fazendo. Pelo menos, em três ocasiões na edição de hoje:

1) Ligações ilegais serão mapeadas (p.8)
"poluição da beira-mar", "Riacho Maceió, na avenida Beira-Mar", "num interceptor na avenida Beira-Mar",

2) Forró pé-de-serra e arraiá à beira-mar (p. 11)

3) Comunicação e economia em debate (p.20)
PROGRAMAÇÃO: ...no hotel Ponta Mar (Avenida Beira-Mar).
No mesmo quadro, foi grafado "Ancerramento" (encerramento).

Em contrapartida, lascou um hífen em "meio-ambiente", no abre da matéria Operação de fiscalização flagra crimes ambientais (p.9):
Órgãos de fiscalização do meio-ambiente realizaram,

Óbvio em destaque

O Povo colocou em destaque uma obviedade na ventilação da matéria Tranqüilidade antes da alta estação:

Enquanto a alta estação (período em que há maior fluxo de turista na cidade) não chega, o movimento maior nas barracas da Praia do Futuro é do pessoal da terra

Bola-de-neve

Depois do Diário, com a boa série de reportagem sobre o Centro, O Povo vem agora com uma sobre o seqüestro de praças.

Ponto para Raquel Chaves que escreveu capital cearense com minúsculas. O pessoal do Diário, sem razão, costuma grafar Capital cearense.

Retira-se um ponto por grafar, logo em seguida, bola-de-neve sem o hífen.

Leia a matéria Cadê a praça que estava aqui?

Serra presidente

Tenho a impressão que O Povo se equivocou na foto e legenda que ilustram a matéria "Estudantes programam mais invasões de reitorias" (p.2). O texto diz:

Reitorias de todo o País devem ser invadidas na primeira quinzena de agosto. A decisão, embalada pela repercussão da ocupação da Universidade de São Paulo, foi tomada por líderes estudantis durante assembléia realizada no fim de semana. O protesto é contra o sucateamento do ensino superior público.

O começo está muito claro "reitorias de todo o País". Aí, para ventilar, foi colocada uma foto do governador José Serra (SP), com a seguinte legenda:

Decretos de José Serra são apontados como a origem da crise.
E os decretos de Serra agora tem validade em todo o território brasileiro. Acha-se que Serra exerce um cargo de âmbito nacional ou é só para queimação?

Cadê a PÁGINA 2?


Alguém pode ajudar? Não encontro os links de matérias e chamadas da p.2 do Povo, que veio com errinhos e curiosidade. A começar pela FRASE:


"Chamar isso de um processo de privatização é um surto à inteligência do brasileiro"


A frase é de José Gomes Temporão, ministro da Saúde, sobre críticas que vem recebendo, mas poderia muito bem ser aplicada ao título que o Povo deu: Ceará privatiza escolinhas.

Eu já havia comentado aqui Privatização?


Ortografia
Megassena se escreve assim, mas O Povo seguiu a Caixa: MEGASENA


Pontuação
A festa de 97 anos do Theatro José de Alencar, foi em cima de um picadeiro.
Essa vírgula é indevida.

Concordância
ASSALTO - Quatro pessoas foram presas, após assaltar uma topic no Serviluz. Foram levados para a Delegacia da Criança e do Adolescente. De lá, eles foram para o IML,
"Pessoas" concorda com "elas".
Juridiquês
Este foi um vacilo da Vertical, no tópico "A torre e o Cocó":
Ele se baseou em perícias e em decisão transitada e julgada
O termo é estranho, mas é assim: transitada em julgado (não cabe mais recurso).

Manchetes de segunda

Estão cada vez piores as manchetes da segunda-feira dos jornais cearenses. Todos eles, mas O Povo ganhou o troféu geladeira:

O Povo
Saiba quais serviços você não precisa pagar

Diário
Polícia de olho nos crimes pela internet no Ceará

O Estado
Hotéis prevêem baixa para a alta estação

domingo, 17 de junho de 2007

Idade zero


Este é um exemplo de como o jornalismo apreende a linguagem técnica e simplesmente a reproduz. Está na p.13, do Diário, no abre da matéria Campanha estima ter vacinado 95% das crianças em Fortaleza:


Dia D de vacinação contra a poliomielite, ontem, mobilizou pais de crianças com idades entre zero e cinco anos


Será se alguma criança de zero ano se vacinou? Você já ouviu alguém responder que uma criança tem zero ano de idade? Tão mais fácil seria dizer "crianças com idade de até cinco anos".

Quando nada é nada mesmo

Hoje a coluna do Edilmar Norões (Diário) trouxe apenas duas vezes sua expressão preferida "quando nada". É só vício, veja:

a expectativa é que Ariosto tenha o apoio de seus colegas, quando nada, do Ceará.
Que feio!

Fora Cláudio Cabral

Não encontrei Cláudio Cabral no cardápio de colunas do portal do Diário. Nem mesmo no caderno Gente, que traz até o Estrelas Esquecidas. Cabral está fora do site (ou será que não vi?).

Por isso, não coloco o link, mas está lá na p. 6 do Gente:
JOVIALIDADE
O segredo da juventude

É um errinho mais comum do que deveria ser: confundir jovial (alegre) com juvenil (jovem). Talvez a confusão se deva porque jovialidade se origina de Jove ou Júpiter.

Meus blogs

A partir de hoje, indico blogs favoritos.

Reinaldo Azevedo
Contraponto inteligente ao mar de mesmismo da imprensa. Leitura obrigatória.

Política O Povo
Boa equipe e bem articulada.

Josias
Boas análises e informações exclusivas

Antena paranóica
O mais interessante e diversificado blog de jornalistas cearenses, do Nonato Albuquerque.

Eliomar de Lima
A notícia, primeiro quem dá é ele.

Sobretudo
Blog do Roberto Maciel. Três feras do jornalismo cearense + Luiz Carlos Carvalho + Marcus Sá.

Blog do Lúcio
A crítica sutil e elegante de quem até ontem era governador.

Noblat
Boa equipe, boa estrutura de informação.

sábado, 16 de junho de 2007

Mais respeito pela mentira


Jabor, no Jornal da Globo de ontem.

Antigamente as tramóias eram mais respeitosas com a opinião pública.
Estamos assistindo a uma aula tragicômica sobre o desequilíbrio político do Brasil: as provas feitas com recibos podres, compradores laranjas, velhos analfabetos, firmas que não existem, bois imaginários, açougues fantasmas...

É fascinante o deslavamento de tudo que é dito, o esfarrapamento das desculpas; a Comissão de Ética é comandada pelo telefonema da esposa do Cafeteira. É a ânsia desesperada de senadores para enterrar o tema principal de nossa atraso: a cumplicidade tradicional entre empreiteiras e políticos.

Toda esta comédia mambembe é para nos desviar da questão principal, pois não se trata mais de saber se o Renan tinha ou não dinheiro para a pensão. É claro que sempre teve. A questão é a pergunta no ar: por que o Claudio Gontijo, lobista de uma empresa, é quem pagava dona Mônica em dinheiro vivo todo mês? Só isso. Por quô? Será que ele era boy do Renan?

Muito mais grave que um eventual crime do senador é o perigo de desmoralização do Senado. O que assusta nessa chanchada é que antigamente as patranhas, as tramóias eram mais respeitosas com a opinião pública.

Hoje não há mais respeito – não digo pela verdade; mas não há mais respeito nem pela mentira.

Omissões

Faltou alguma coisa, em quatro ocasiões, do segundo caderno do Povo.

1) Sanduíche farto é segredo para atrai público (p.23)
2) Aids dim nui em países da África (só na versão impressa, p.31)
3) Centenas de crianças em trabal ho forçado (p.32)
4) Pentágono cogitou usar "bomba gay" (aqui, é no texto do abre):
O Pentágono chegou a tentar planejar uma "bomba gay" para transformar soldados inimigos em homossexuais. A idéia não é vista tão estranha por especialistas em homossexualidade

Certamente, o texto quis dizer que os especialistas não acham a idéia tão estranha.

Para ler as matérias no original, basta clicar nos links acima numerados.

Dívida em dúvida

Sem o acento, o substantivo "dívida" virou verbo no título da contracapa do Povo (p.18) :

Divida com a torcida

Capa do Povo

Pelo menos três estranhezas na capa do Povo de hoje.
Primeiro, na legenda da foto principal:
As barracas da Praia do Futuro já estão se preparando para a alta estação. A expectativa dos proprietários é de um movimento entre 30% e 100% maior que o restante do ano

Entre 30% e 100% é uma variação muito grande, precisão 0%.

Depois no texto da manchete:
Cinco policiais rodoviários federais foram presos ontem no Ceará por crimes de corrupção passiva, extorsão e formação de quadrilha. Segundo a Polícia Federal, que cumpriu os mandados de prisão, busca e apreensão, os policiais facilitavam a fiscalização na BR-116.
Tenho a impressão de que a fiscalização era dificuldata pela ação dos policiais corruptos, que facilitavam a vida dos corruptores.

Por fim, uma chamada que não é bem verdadeira, no tópico INTERNET:
Através da tecnologia virtual paper, você pode enviar por e-mail a reprodução das páginas do O POVO para qualquer lugar do mundo.
Não é verdade que você possa enviar por e-mail reprodução das páginas. No máximo, você envia um link, que o destinatário deve clicar para acessar o portal do Povo. Envio mesmo de página, não existe.


sexta-feira, 15 de junho de 2007

Pegues

Escorregão feio do Estado, na capa:

Dois homens são pegues com arsenal
O particípio do verbo pegar é pegado. Admite-se a forma irregular pego(ê), mas "pegue" é de lascar. Certamente foi traído ao fazer paralelo com o verbo entregar, que aceita as formas entregue e entregado.

Haja quando nada

O campeão de natação voltou a atacar. Em apenas um pequeno tópico, a coluna Edilmar Norões, atira sobre nós, duas vezes, seu indefectível "quando nada":

Expectativa
Em meio, portanto, a essas manifestações sobre reforma política vale, quando nada, saber que, depois de engavetada por mais de 12 anos no Congresso Nacional, a polêmica, mas importante matéria, está sendo objeto de discussão. E, pela decisão do presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, apoiado por outras lideranças, renovaram-se as esperanças de que, desta vez, o projeto, quando nada, seja discutido e votado.

E, no tópico "questionando", regência errada de implicar:
Se o fortalecimento do processo partidário implica no fortalecimento da democracia
O certo é "implica o fortalecimento"

Tem mais, no tópico "apoio do governo:
serão acrescidos com a realização de concurso público, que vai permitir a contratação de novos mil policiais.
Contrataria velhos policiais?

E ainda "em 3 tempos":
Encerra hoje, no Hotel Oásis Atlântico, o encontro...
Encerra-se, não?

Diferencial Camboriú


Pequeno senão do sempre bom caderno Turismo do Diário:

Do alto do Morro da Cruz, o Cristo Luz saúda turistas e moradores. O monumento é um diferencial para quem chega e logo se encanta com tanta beleza.

Diferencial? E só para quem chega?


Uma cidade litorânea, contornada pelo mar

É mesmo?


Leia a matéria aqui Balneário Camboriú

Muita besteira

Na capa do Diário, o sanfoneiro Dominguinhos vira acordeonista. E diz que ele vai fazer um show com o autêntico forró poético. Forró poético? Autêntico? Quem me explica?

Besteira muita
Saiu na Comunicado, tópico "cartando alto":
Curioso é que a Prefeitura de Fortaleza ainda não deu o pontapé inicial - ´pontapé inicial´ é besteira muita, com os devidos royalties para o colunista Neno Cavalcante.

Se concorda que é "besteira muita", por que não evita o termo?

quinta-feira, 14 de junho de 2007

Relaxe e goze - 4 minutos

O Povo deu dois "2 min" para a gozação de Marta Suplicy:
Marta se desculpa por "frase infeliz"
O outro foi na p.20, sob o título FRASE (não encontrei na versão eletrônica).

Privatização?

O Ceará (futebol) está prestes a arrendar as divisões de base, informou O Povo. Mas a isso chamou no título de privatização. Acho que o termo é impróprio, pois se aplica a algo do Estado que passa para o controle de entidades do setor privado. Parece que não foi o caso.

Leia a matéria aqui Ceará privatiza escolinhas

Não foi pistolagem

No mesmo dia em que o Diário se apressou em dizer que um crime cometido em Jaguaribe foi pistolagem, a polícia desvenda o caráter do assassinato do companheiro de Ana Bruna: vingança. Cai a tese da pistolagem. Ele havia matado um cigano em Caucaia, e a família se vingou. Não foi queima de arquivo. O jornal precisa deletar dos arquivos do computador para não errar nas estatísticas. Eu comentei ontem aqui: Pressa na pistolagem

A matéria de hoje você lê aqui: Elucidado assassinato do ex-PM

No texto final, erro de contas:
Ademir era companheiro da adolescente Ana Bruna de Queiroz, que acabou sendo morta seis dias depois que ele foi eliminado.

O ex-militar foi fuzilado no dia 8 de abril, Ana Bruna no dia 13. Logo, cinco dias.

Algoz rima com arroz

Matéria do Povo, traz o seguinte texto:
Foi ultrapassada pela França, sua algoz nas Copas de 1986, 1998 e 2006.

Algoz é masculino, seu algoz. Aproveitando, algoz rima com arroz. Mesmo no plural, o timbre do o é fechado.
Leia a matéria aqui Brasi cai no ranking da Fifa

Olhar central



O Centro no olhar de Gustavo Pellizzon casa bem com o texto de Lêda Gonçalves. Leia a matéria:

Falta de projetos para habitação motiva críticas de moradores

Na versão impressa, pb, o estouro da luz no prédio foi suavizado.

quarta-feira, 13 de junho de 2007

Conivência inconveniente

O Povo trocou as bolas na p.10 (Justiça proíbe extraçãode madeira na Chapada):
A denúncia, do Ministério Público Federal, também revela que servidores do Ibama estariam sendo convenientes com a ação
Deve ter querido dizer coniventes.

Situação de rua


Mais um exemplo da novilíngua jornalística está na boa matéria de Lêda Gonçalves no Diário.


Cerca de 500 crianças e adolescentes em situação de rua moram no Centro.


O email de Henrique Carneiro, na opinião do especialista, deve estar errado (atenção, Autocrítica): henriquecarneiro@unifor.com.br


As universidades não costumam usar a extensão "com". O email correto deve ser henriquecarneiro@unifor.br


Recomendo a leitura da matéria, clique aqui: Pequeno exército de excluídos busca espaço

Pressa na pistolagem

Tenho a impressão de que o Diário se apressou ao tirar conclusões na matéria:
Pistoleiros executam pai e filho em Jaguaribe

O texto começa assim:
Subiu para 20 o número de crimes de pistolagem, este ano, no Ceará. No começo da tarde de ontem, dois homens - pai e filho -foram executados por pistoleiros na zona rural do Município de Jaguaribe

É possível que se prove que foi pistolagem, mas o jornal não tem elemento para firmar suas declarações. Sabe-se que foi uma emboscada e que já teria havido uma rixa com outros posseiros, as vítimas já teriam até sido espancadas. O testemunho de vizinhos é que ouviram os tiros e o barulho da moto se distanciando. Só depois foram ao local do crime. É cedo para dizer que foi pistolagem.

Professores


Só o Diário trouxe, e com o merecido destaque de duas páginas, matéria sobre a greve dos professores da Prefeitura da Fortaleza. Segundo a Prefeitura, na matéria do Diário, se a greve demorar mais uma semana, o semestre letivo será comprometido. Mais uma razão para que O Povo não se omitisse. Está boa a matéria do Diário, vale a pena ler. Clique no link:


Câmara vira praça de guerra

Ano letivo está comprometido


O Povo também falou de greve dos professores, de Maracanaú:

Professores mantêm greve julgada ilegal


Cumpriu seu papel


O Diário dedicou uma página, com uma bonita arte, para se defender e acusar seu acusador. De quebra, reclama que seus jornalistas estão sendo coagidos. Trouxe a opinião do presidente da OAB e da presidente do Sindicato dos Jornalistas.

Débora Lima fez um forte ataque ao promotor Jarlan Botelho. Foi quase todo o texto. Em defesa mesmo de seus filiados, a presidente do Sindicato dos Jornalistas reservou uma frase:

Se a Imprensa teve acesso à informação, cumpriu seu papel.

Desconfio de que seja tão simplista assim. Todo jornalista sabe que há limites, e esse pensamento está expresso em muitas matérias, até mesmo nesta que o promotor diz ter sido determinante para a execução de Ana Bruna. Vejamos. Copiei todo o texto abaixo, para comentá-lo. Se preferir no original, clique aqui.

INFORMAÇÃO REVELADORA
Elucidada pistolagem contra um comerciante

A morte do comerciante José Valter Portela, 42 anos, que aconteceu no dia 1º de março deste ano, no bairro Siqueira, está esclarecida. O depoimento de uma mulher, que convivia há quatro anos com o ex-soldado da Polícia Militar Ademir Mendes de Paula,

Inadvertidamente, a repórter já identificou Ana Bruna para os bandidos

35 anos, morto com oito tiros no último domingo, foi determinante na elucidação da pistolagem do comerciante. “Foi o Ademir quem matou o Valter Portela e, por este crime, recebeu a quantia de R$ 10 mil”, contou a jovem (não identificada por questão de segurança).

Essa frase que eu negritei é, como se diz, emblemática. Por isso que eu disse lá em cima que foi inadvertidamente. A repórter tem certeza de que não deve revelar a identidade da testemunha. Achou que bastava não revelar o nome. E foi dando mais pistas.

Ademir era envolvido em crimes de extorsão, assalto e, de acordo com a garota, “matou muita gente por aí”.

Ele matou muita gente por aí. Barra pesadíssima e ela sabe de todos.

Segundo a jovem, o ex-PM demonstrava satisfação em matar. “Ele sempre me dizia quando dava certo e fazia questão de assistir às reportagens dos crimes na televisão”. A mulher afirmou, ainda, nunca ter recebido qualquer quantia em dinheiro de Ademir. “O dinheiro que ele recebia por estas coisas desaparecia muito rápido, nem sei como”, lembrou.A garota forneceu à Polícia o nome do mandante do assassinato do comerciante Valter Portela, mas esta informação está sendo mantida em sigilo, a fim de que as investigações possam ser aprofundadas.

Veja bem, a informação é mantida em sigilo. Sabe-se que em alguns casos, é assim que se age. Às vezes, para “que as investigações possam ser aprofundadas”. O caso mais grave é colocar uma vida em risco.

“Ele me contava tudo, eu sabia de muita coisa,
porque a gente se gostava muito e ele confiava em mim.


Sabe muito, talvez muito mais do que já tenha dito. Ana Bruna virou uma bomba ambulante. Como os jornalistas gostam de dizer, é nitroglicerina pura.

Mas dizia que se eu o deixasse, ele ia atrás de mim e me matava nem que fosse debaixo da saia da minha mãe”, disse.A garota conversou, ontem de manhã, com os delegados Francisco Alves de Paula, diretor do Departamento de Inteligência Policial (DIP) e Francisco Carlos de Araújo Crisóstomo, superintendente-adjunto da Polícia Civil. No período da tarde, foi ouvida na presença de um promotor de Justiça que acompanha o caso.

Está claro que todo jornalista sabe que, em muitos casos, preserva-se a identidade de personagens nas matérias, obrigatoriamente quando há risco de vida, como a própria repórter reconhece expressamente. Então, a frase da sindicalista ficou meio solta, por demais corporativa.



A de hoje
Agora alguns trechos da matéria de hoje: Investigações ainda confusas

A testemunha não foi suficientemente protegida pelas autoridades estaduais. E o pior aconteceu: foi eliminada.
Mantém acusação contra a omissão do Estado, e está certo, mas não é só isso.

A matéria, ressalte-se, preservou a identidade da testemunha.
O repórter tem a mesma crença da repórter. Para preservar a identidade, basta não revelar o nome. Simplório, não?

A seqüência de depoimentos prestados por Ana Bruna, e a gravidade dos fatos por ela revelados, não foram suficientes para que as autoridades competentes tomassem providências no sentido de protegê-la diante de um perigo real de retaliação.
De novo, centra fogo nas autoridades. E confessa, o jornal tinha consciência de que estava diante de um "perigo real de retaliação".

O quadro DECLARAÇÕES DE ANA BRUNA diz o que a testemunha fez no dia em que deu entrevista ao Diário: deu depoimento ao delegado Francisco Alves de Paula, diante do promotor Jarlan Botelho, no Departamento de Inteligência Policial (DIP).

Lá pelas tantas, o texto diz (ver matéria coordenada). Diabéisso?

O título da outra matéria da página diz
Apuração gerou a prisão de 9 acusados

O texto diz:
Nove pessoas tiveram...(ver quadro acima).
No quadro acima, tem apenas oito.