sábado, 14 de julho de 2007

Um sobrevive?



Esse título estranho está na p. 8 do Diário.

Degradação do texto


A coluna do ombudsman do Povo, da edição de domingo, publicada no sábado, comentou sobre matérias de repórteres que viajam a convite de empresas.

É bom ler essa do Diário. A empresa que convidou o repórter é suspeita de poluir o Rio Poti, em Crateús. Está judicialmente impedida de operar uma de suas fases da produção de óleo. Veja o que ele disse:


Brasil Ecodiesel, empresa de referência na produção do diesel à base de vegetais que já está ressentida com os efeitos dos danos ambientais, a ponto de também ser responsabilizada pelo processo de degradação.

Me parece um texto cheio de arrodeios, outros errinhos:

De longe se pode ver a agressão sofrida pelo Rio Poti, que corta o município de Crateús, a 356 quilômetros de Fortaleza. Uma grande quantidade de resíduos sólidos se misturam com

se mistura

nas margens próximas ao perímetro urbano da cidade

nasce em Quiterianópolis e desagua no Rio

deságua

As atividades começaram no último dia três

dia 3

A Brasil Ecodiesel deu férias coletivas a todos os funcionários.

Você lê a matéria aqui: Degradação do Rio Poti continua

Inversão nas manchetes

Povo e Diário deram foco diferente sobre o mesmo assunto. Os dois, a meu ver, equivocados.

Das três informações da manchete, o Diário deu foco ao fato mais distante de seus leitores.

Tudo bem, o Brasil tem recorde de empregos novos: 18,58%. O fato supreendente, escondido no sobretítulo, é o desempenho do Nordeste: 149%. Pois num é que, nesse mar de rosas, as vagas no Ceará caem 8,95?!

Esse o fato principal, como comprova a manchte do caderno Negócios: Vagas no Ceará caem 8,95%.



Agora veja como foi no Povo. Enfrentamos logo uma obviedade: gera 4,3 mil novos empregos. Não poderia gerar velhos empregos. Pegou o tom triunfalista e não informou que, apesar disso, o saldo é negativo. O mesmo tom é dado na matéria interna, escondendo no meio do texto a informação negativa.

sexta-feira, 13 de julho de 2007

Desestilulada

Essa palavra estranha está publicada na p.6 do Vida & Arte (O Povo), na seção Fora do Ar, e se rerefere a Ana Maria Braga:

A apresentadora aparece visivelmente desestilulada.

Gasosa



Se for comprar gasolina, guie-se pelo Povo, encontrou o litro a R$ 2,25 e botou foto da placa.



No Diário, o menor preço está a quase R$ 2,30.

Um outro Inácio é possível


Inácio Arruda enfrenta o senador Cristovam Buarque em defesa de Renan Calheiros.


Em outros tempos, não haveria dúvida que Inácio estaria criticando o senador pedetista porque este estaria apoiando alguém acusado de quebar o decoro, de usar dinheiro público para fins privados. Mas não, é o contrário.


A foto do dia é de Geraldo Magela, da Agência Senado, publicada na p. 2 do Povo.

O Diário trouxe matéria sobre o mesmo assunto (crise renal do Congresso), mas não deu uma linha sobre o mico que Inácio Arruda pagou em cadeia nacional de TV.
Aliás, aproveite para indicar a foto do dia.

Sem ponto, nem vírgula


O Povo esqueceu o ponto no milhar na contracapa do primeiro caderno. E também deixou de colocar a vírgula logo depois de "voluntários":


4500 artistas, todos voluntários participam do show

Que peça!


Esta é da p.16, do Povo:

Barueri peça o Brasiliense


Na mesma página, colocou palavra inexistente na legenda da foto inferior:

Adriano Chuva foi afastado sob a alegativa de deficiência técnica

A que existe é alegação.

quinta-feira, 12 de julho de 2007

Visual



Boas imagens do Diário.
Clique na imagem para ampliar.

Gasoduto para a siderúrgica


No texto da chamada ao lado, três faltas:

A Companhia de Gás do Ceará (Cegás) vai investir R$ 10 milhões na construção do gasoduto que levará o gás natural que será fornecido pela Petrobras (sic) à siderúrgica Ceara (sic) Steel.

Faltou dizer de onde parte o gasoduto. Você encontra a informação noutro caderno, Negócios. Na página 1, 2, 3, 4, 5, ops, aqui na quinta página: "estimado em um quilômetro". Vá lá, tudo vai facilitando.


O entendimento entre as duas empresas

Faltou dizer quais as empresas. Citou 3: Cegás, Petrobrás e Ceará Steel. Certamente, as duas últimas. Então, faltou mais clareza.


que exceder os 1,3 milhão de metros

Faltou definir: colocar milhão no plural ou o artigo no singular.

O o tem som de u

O Diário grafou duas vezes a palavara descompostura assim: descompustura.
Leia a matéria aqui Troca de acusações na AL

quarta-feira, 11 de julho de 2007

Respiração


De Thiago Gaspar (Diário), um dos vencedores do Concurso Internacional da Nikon

Boa jogada

Título do Diário sobre Remo 2 x 0 Ceará:




Na mesma página, exemplo raro no jornalismo de colocação da vírgula em títulos, principalmente:

Sem a vírgula, seriam dois contratados. Muito bem.

Bons ventos

Agradável a forma como Mariana Toniatti começou sua matéria na p.6 do Povo. Uma matéria de serviço, de qualidade. Leia nem que seja só o início:
Temporada dos ventos começa mais cedo

Se quiser comparar, tem matéria sobre o mesmo tema no Diário:
Árvore cai e atinge quatro veículos

Objetivos secundários

Trecho do texto da manchete do Diário:

o túnel descoberto no IPPOO II tinha por objetivo principal proporcionar a fuga

Fiquei imaginando qual seria o objetivo secundário...

Lustosa verde-oliva

Começou muito bem a coluna de Lustosa da Costa (Diário):

Não falem do Brasil perto de mim
Se há algo que detesto é estar numa roda e ouvir algum parvo dizer: ´Todo brasileiro é ladrão´! Será confissão de culpa? Algum remorso que o fere? Pior ainda reside em receber e-mails de alguém destratando do Brasil, falando mal de meu País. Se ele é ruim, isto depende de seus habitantes. De nós, de ninguém mais.

Devia ter parado aí. Tava tão bem. Mas, a partir daí, repetiu argumentos de campanha publicitária da época dos militares, contra os "subversivos". Lembram do "Brasil, ame-o ou deixe-o"? Veja o que ele disse:

Se há quem esteja tão insatisfeito em residir aqui pode se mudar para Miami. Ou para Assunção. Ninguém mora no Brasil, à força, por obrigação. Senão gosta do País, o melhor que faria seria abandoná-lo.

O mais importante está aí, mas pode ler a coluna toda, clicando aqui.

terça-feira, 10 de julho de 2007

Números do túnel

Descoberta de um túnel do presídio foi manchete dos jornais. Povo e Diário concordaram na extensão, 51 metros. Mas, na medição do início do buraco ao muro do presidio, diferem. Dá 19 metros no Diário, e 16 no Povo.

Quanto à altura do túnel, a diferença supera os 100%. Enquanto O Povo afirma que é de 1,5 metros, o Diário garante que é 65 centímetros.

Você lê a matéria do Povo aqui Descoberto túnel para fuga de assaltantes do BC

E aqui a do Diário: Descoberto túnel no IPPOO II

segunda-feira, 9 de julho de 2007

Isso é O Povo



Deu furo num dia, noutro taca o dedo na ferida. O Povo deu manchete sobre a saída de Bruno. Pela segunda vez, manteve o impacto:


Já o Diário, mesmo falando pela primeira vez, trouxe um título burocrático:

Seleção canina



Olha o que a falta de um cedilha faz. Está na página 3 do caderno Negócios (Diário).

Surpresa no Diário


Ironia no título desta chamada. Na verdade, o Diário é que foi surpreendido pela saída de Bruno. Levou um furo daqueles. O Povo deu a matéria na edição de domingo, no segundo clichê.

Hoje, o Diário dedicou suas páginas de Política ao assunto. A coluna do Edilmar, que só trata de política, deu na última nota. E também com um título curioso: "Acredite se quiser!". Na Comunicado, que traz mais novidade política do que a do Edilmar, nenhum comentário.

A coluna que trouxe o assunto em primeiro plano foi a de Negócios, do Egídio Serpa. E disse algo que parece piada:

pedido de exoneração do deputado Artur Bruno, do PT — fato antecipado sábado por esta coluna

O Diário levou o furo, e a coluna, a meu ver, de forma desonesta, afirma que deu a notícia já no sábado.

Se o colunista achasse mesmo que estava antecipando fato tão relevante, não o teria colocado perdido entre pequenas notas, a penúltima da seção "Livre Mercado". O que ele disse lá, sábado, é mais um chute, à Alan Neto (Vale-tudo, O Povo), do que um furo:

O governador Cid Gomes e a prefeita Luizianne Lins tiveram ontem à noite um jantar a sós que não estava agendado. O prato quente foi o pedido de exoneração que um dos secretários encaminhara na véspera ao governador. Especula-se que o demissionário seria um petista.

Este repórter apurou que o governador só anunciará o nome do secretário demissionário, já quando tiver escolhido seu substituto.

Fala sério, o colunista não atencipou a saída de Bruno. Anunciou que um secretário havia pedido exoneração. Especulou que o demissionário fosse petista. E apurou que o nome não sairia agora.

Ou o jornalista não sabia o nome mesmo, e aí dizer que antecipou o fato é um tipo de desonestidade intelectual, ou sabia e guardou para si, talvez por conveniência da fonte. Nos dois casos, não houve a antecipação alegada.

Egídio não é foca, não precisa forçar demonstração de que pode dar furos. E, por ser tão experiente, teria dado a notícia como manchete de sua coluna. Não é mesmo?

Fazer especulação e, se o caso se confirmar, dizer que foi antecipação. Assim, até eu. E o Alan.

Vítima da estatística


Pronto, agora a culpa é da estatística. Veja o que escreveu o Diário na peça que se destaca no texto da manchete:


10 tiros mataram o servente Marcelo Batista Cândido, no bairro Bom Jardim, uma das vítimas da estatística

domingo, 8 de julho de 2007

Show do Povo


Artur Bruno volta ao plenário. Muda a composição da bancada. A Assembléia ganha em qualidade; o PT, em talento. O governador precisa voltar a negociar com o PT para substituição. Intrigas, desagrados. Ingredientes relevantes.

Show do Povo.

Verdades temporárias


Probleminhas com a matéria da capa do caderno Negócios (Diário).

Com o sobretítulo "trabalho na alta estação", afirmou que o "Ceará deve gerar 13 mil vagas temporárias". Isso não é verdadeiro. Essa não-verdade também está no abre da matéria:
Apesar das previsões pouco otimistas, a alta estação no Ceará deve representar a criação de 13 mil postos temporários
Não é verdadeiro porque, como se verá mais adiante, esse número corresponde também a junho, e não só a julho, o mês da alta estação.

O parágrafo inicial é uma obviedade:
O aquecimento econômico experimentado no Ceará com a chegada da alta estação e com o início da preparação das indústrias para as encomendas de fim de ano deve alavancar a contratação de funcionários temporários neste mês.

E ainda mistura o presente (experimentado) com o futuro (deve alavancar). Independentemente disso, é óbvio, todo ano é assim. Este, enfrentando dólar baixo e apagão aéreo, é que pode ser diferente. Se o repórter provar que, apesar disso, vamos ter uma boa temporada, merece prêmio. Mas não foi assim.

Aqui, a inclusão de junho no cálculo:
Conforme projeções do Sistema Nacional de Empregos (Sine) no Estado, em junho e julho devem ser criadas aproximadamente 13 mil vagas.

DICA
O coordenador de intermediação do Instituto de Desenvolvimento do Trabalho (IDT), Antenor Tenório, ressalva que o número representa apenas as expectativas com relação à colocação via sistema público de emprego, por meio do banco de dados do Sine, que cruza as demandas das empresas com as ofertas de mão-de-obra cadastradas junto ao orgão.

Cadastre sempre sua oferta de mão-de-obra no órgão. Cadastramento junto ao órgão pode estar sendo feito clandestinamente ou por cambistas. Na dúvida, cadastre no órgão, e não junto ao órgão.


Continua a matéria com o intertítulo "Atividades turísticas":

Como as previsões para a alta estação este ano na cidade não são das mais animadoras, sobretudo por conta do ´apagão aéreo´, as empresas ligadas diretamente à atividade turística devem responder por cerca de 5% dos empregos temporários gerados no bimestre. Essa mão-de-obra deve ser absorvida por hotéis, barracas de praia e restaurantes.

A partir daí, a matéria comenta a projeção de novos empregos em setores que trabalham em cadeia com o turístico. Tanto que a matéria continua na p.3 com o título "Efeito maior em comércio e serviços.

Mas se apenas 5% da mão-de-obra estará ligada ao turismo, por que a ênfase nesse setor? Se o repórter começou o texto brandindo dois fatores para as contratações, é bom checar o outro. As encomendas na indústria, por exclusão, devem representar 95%. Então, a pauta está invertida. Deveria buscar quais segmentos da indústria estariam empregando mais.

Mas não, no quadro sobre empregos, estrondosa maioria ligada ao turismo.

No texto, quando se refere à industria, é como beneficiária da atividade turística:

A indústria também deve sentir benefícios indiretos, sobretudo para itens que são consumidos no período.
E termina aqui a citação:
Outro fator sazonal que colabora para o bom desempenho do mercado de trabalho no período é o início da preparação da indústria para atender às encomendas de fim de ano.

Nada mais se disse sobre a indústria. Você pode ler a matéria e a continuação dela, clicando nos links abaixo.


sábado, 7 de julho de 2007

Gol na Jogada


O Povo goleou o Diário na matéria sobre a saída de Ciel, no Ceará. O assunto principal, claro, é a forma pouco usual como o jogador sai do time. O Diário fala em mistério. A dispensa de seis jogadores pouco lembrados é acessório. Foi assim que fez O Povo no abre da matéria:

O atacante Ciel abandonou o Ceará e deve estar se transferindo para o exterior. No dia em que o técnico Heriberto da Cunha chegou à capital, o clube dispensou ainda seis jogadores

Foi a principal matéria da p. 19:
Ciel dribla Alvinegro

O Diário não deu como a principal matéria da p.20. O texto da abertura também foca Ciel, mas o título inverteu os valores. Erro de avaliação, num título ruinzinho:
Ceará dispensa seis, e Ciel também sai

Herói

Iguais os jornais. Num mesmo assunto, tratamento especial do Povo. Falaram de afogamentos. O Povo arrasou no ângulo, fez um perfil do garoto que virou herói ao salvar a vida de dois amigos e perder as forças para salvar a sua. Na praia da Leste-Oeste. O texto não é brilhante, mas cumpre seu papel. Vale a leitura:
Despedida de um herói

O editorial também trata do assunto:
Solidariedade heróica


ÓBITO DA MORTE

A do Diário, matéria de serviço e alerta, usa e repete termo pomposo. Iniciou logo assim:
Quatro óbitos em uma semana alertam os banhistas para os perigos nos banhos de mar durante as férias

Óbito é a segunda palavra do texto e se repete por mais quatro vezes. Morte não aparece. Nada contra o óbito, mas o coloquial é morte. Serve para evitar a repetição, como neste exemplo muito bom: "à morte do marido, a mulher passa ao poder do cunhado três dias depois do óbito" (Oliveira Martins).

Eis a matéria do Diário:
Ventos tornam mar mais perigoso

sexta-feira, 6 de julho de 2007

Pó no Povo

Na primeira vez que os dois jornais trataram o assunto, hipóteses antagônicas quanto ao local de onde saiu o carregamento de cocaína apreendido em alto-mar com pescadores cearenses. Enquanto o Diário assumiu o fato como comprovação de que o Ceará é um dos principais pontos da rota internacional de tráfico, O Povo dizia o contrário: indícios de que o barco saiu do Ceará, e pegaram a mercadoria no Norte.

Depois, o Povo passou a dizer, como até hoje, que a polícia tinha dúvida sobre de onde a droga partira. Hoje, o Diário nem tocou no assunto.

O Povo, em manchete, assume a tese do concorrente:

Fortaleza é base de tráfico internacional, diz PF

Engraçado é que o texto dá entender que a PF foi perguntada se seria verdade a tese de que o Ceárá é rota internacional. Isto é, o Diário pautou o Povo. O início do texto dá a chave. Note que ele não diz por exemplo, "PF afirma que Fortaleza é base...". Não, ele põe um "admite":

A Polícia Federal da Paraíba admitiu que Fortaleza é base do tráfico internacional de drogas no Brasil.

E dá uma explicação comprometedora:

A constatação partiu de investigações sigilosas que estão sendo feitas pela instituição e ganhou força com o interrogatório dos cearenses presos.

Quer dizer, será um vexame para a PF cearense se os policiais da Paraíba chegarem a essa constatação. Compromete os federais daqui. Mas se a polícia daqui sabia, compromete O Povo. Não foi competente para descobrir essa informação. Já que o Diário sempre afirmou isso.

E, ao dizer que a hipótese ganhou força com este episódio, está fazendo quase uma paráfrase da abertura do repórter do Diário na primeira vez que tocou no assunto:

mais um fato comprova que o Ceará é um dos principais pontos da rota internacional de cocaína para a África e Europa.

quinta-feira, 5 de julho de 2007

Avesso do avesso

Capa do Diário parece ter grafado uma palavra com sentido contrário ao sentido do texto na chamada sobre passeios ao exterior:

Os destinos mais procurados são Europa, América do Sul, Estados Unidos e o Canadá que desponta, nesta temporada, como emissivo em potencial.

Se o emissivo é o que emite, quer dizer que o Canadá, ao mesmo tempo em que é um dos mais procurados para passeio, é também dos que mandam mais turista para cá. É isso mesmo? Ou "emissivo em potencial" é mais um dos termos técnicos não traduzido para os leigos?

A Rota

Enquanto o Povo anuncia que a Polícia "quer saber se a droga deixou o Brasil pelo Ceará", o Diário mudou o foco.

No primeiro dia, disse que a apreensão da coca em alto-mar comprovava a rota internacional. Agora se serve do inverso. Diz que a drogra deve ter saído daqui porque o Ceará é rota internacional.

Acompanhando o raciocínio do jornal, o Ceará é um dos principais pontos da rota internacional de coca porque houve duas apreensões. Não faz sentido. Apenas duas apreensões não justificam o título que o repórter teima em afirmar.

E hoje o absurdo de transfomar causa em conseqüência, ou vice-versa, sei lá. Afirma que a droga deve mesmo ter saído daqui porque o Ceará, justificando sua tese, é um dos principais pontos da rota internacional do tráfico.


SIGLA ESTRANHA

Na mesma p. 13 há uma sigla estranha no título FTA persegue e prende assaltantes.

Ficou curioso sobre FTA? Pois o texto só explica o que é 1.116 caracteres depois do início da matéria. Para dar mais curiosidade, o FTA também está na legenda da foto.

Quer saber mesmo? Clique aqui FTA persegue e prende assaltantes
Devia ter uma regrinha, evite siglas estranhas nos títulos. Se for mesmo indispensável, explique a sigla logo na primeira oportunidade.

Dor-de-cotovelo

Ontem, num fim de página, em forma de anúncio (não está na internet), o Diário passou recibo da dor-de-cotovelo por ter levado um furo do Povo. Deu com exclusividade a condenação dos envolvidos no furto ao Banco Central. O Diário foi se queixar à Justiça, que mandou uma carta em resposta. A instituição Justiça não dera privilégios. Se houve, foi de iniciativa de algum juiz.

Se o Diário abriu o flanco, O Povo mandou ver hoje, um direto no fígado, em forma de nota de redação (clique na figura ao lado para ampliar).

O Povo rebate de frente a acusação e demonstra que o furo se deveu ao trabalho de acompanhamento dos repórteres. Pois a divulgação já era pública, estava no site da Justiça. Se foi mesmo assim, o Diário pisou na bola e ainda pagou o mico de achar que a culpa era da Justiça, não da incompetência ou falta de sorte sua.

Em outras ocasiões os dois jornais agiram em sentido inverso. A coluna Vertical chegou a reclamar que o Estado estaria sonegando informação ao Povo e passando ao Diário.

O Povo errou

Quase 10 dias depois, o Povo reconhece o erro em um de seus títulos. Estranho o atraso porque o erro não estava escondido, mas no título da matéria e foi comentado aqui no mesmo dia em que foi publicado (clique aqui para ler Álcool: subiu ou desceu?). O Erramos de hoje:

Economia(26/6, pág. 23) O título correto da matéria é "Álcool mantém alta mesmo na safra" e não como foi publidado.

A correção se dá depois de três dias que o blog deu destaque ao comentário do jornalista Carlos Eugênio, do Diário, sobre o assunto:

O Jornal O Povo, infelizmente, errou, grosseiramente, na manchete sobre o tema

Para ler o comentário completo do jornalista, clique aqui Correção

quarta-feira, 4 de julho de 2007

Mar de desencontros

Povo e Diário, mais uma vez, publicam versões antagônicas sobre de onde partiu a droga apreendida em alto-mar com pescadores cearenses.

O Diário, de novo, fala alto:
Embora não tenha ainda se pronunciado oficialmente sobre a origem da droga, a PF da Paraíba já não tem mais nenhuma dúvida de que a embarcação partiu da costa do Ceará com a cocaína que teria sido produzida na Bolívia.

Eis a matéria: Pescadores receberam dinheiro de boliviano

A dúvida está no Povo:
A PF ainda não sabe de onde saiu nem onde foram embarcados os 860 quilos da droga

Matéria do Povo:Símbolo em pacote de cocaína é pista para identificar cartel

Com acento


terça-feira, 3 de julho de 2007

Ai, que preguiça

Texto da capa do Diário:

A retração do consumo de combustíveis
plural genérico: gás, gasolina, diesel, álcool

em Fortaleza, no mês de junho, derrubou os preços do litro do item,
opa, agora é só um : o item. Qual?

que começa o segundo semestre com o menor patamar de preço desde o início do ano passado.

Qual? Parece mais um teaser do que o anúncio de uma notícia. Se quer saber mesmo qual foi o "item", há de prosseguir ainda um tanto na leitura:

Em alguns estabelecimentos, é possível encontrar o litro da gasolina

Nome disso: preguiça.
Quem escreveu na capa apenas deu control C+V. Copiaram a abertura que o repórter fez para a matéria interna. O repórter está certo, lá o título já informa:

Preço da gasolina cai e é encontrado a R$ 2,35


Já o título da capa não é bem conectado:

Consumo em baixa reduz preço do litro

Ai, que preguiça....


Só mais um pouquinho. A informação da capa está em desacordo com uma peça (imagem ao lado) publicada na p.3 do caderno Negócios. Lá, diz que a retração foi no preço, de 15% a 20%. A capa diz que a retração é no consumo. Foi o mesmo índice para os dois? Texto da capa:

o índice de retração [do consumo] estaria entre 15% e 20%.

Pó em alto-mar


Povo e Diário deram manchete sobre a apreensão de um barco cearense com 860 quilos de cocaína à bordo, já próximo de Dakar. Um boliviano e três pescadores cearenses foram trazidos para João Pessoa. O jornais concordam nisso, mas se desentenderam em alguns pontos.



O Povo preferiu a sobriedade, o Diário defendeu uma tese.

A tese do Diário, o Ceará está na rota do tráfico internacional de cocaína. O repórter chutou o balde:

mais um fato comprova que o Ceará é um dos principais pontos da rota internacional de cocaína para a África e Europa

Baseado em quê, o repórter afirma que o Ceará é um dos principais pontos da rota internacional? É que essa seria a terceira apreensão. Não creio que seja um número suficiente para enquadrar como rota da droga. E é um exagero dizer que é um dos princicipais pontos.

Se o Ceará é mesmo um dos principais pontos, a polícia não está sendo muito efetiva. Só dois anos depois é que houve apreensão?
Mas o ponto mais chato é que o repórter não tem certeza se a droga partiu de litoral cearense:
A droga saiu do Brasil, supostamente pela costa cearense
Supostamente.

O Povo diz o contrário, há indício de que não saiu de Fortaleza, mas da região Norte, o que é mais provável, pois se baseia na informação da Polícia Federal:

Ainda não se sabe a origem da droga nem onde teria sido embarcada no Sabala. "O depoimento deles não deixa claro, mas há o indício de que o embarque da droga realmente não foi feito em Fortaleza. O barco teria saído daí (do Ceará) e subido lá pro lado do Norte. Isso é o que a gente sabe", informou ao O POVO o superintendente da PF na Paraíba, Francisco Leônidas. "Pode ter saído do Ceará, mas o depoimento dos acusados não deixa totalmente claro

Dúvida no ar, os jornais ouviram a mesma fonte.


NÚMEROS DIFERENTES

Povo
O resgate feito pela fragata brasileira foi a mais de 2.400 quilômetros da costa do Brasil, já a cerca de 750 km de Dakar

Diário
num percurso de 2.500 milhas náuticas, o equivalente a aproximadamente cinco mil quilômetros... a cerca de 800 milhas da costa do Senegal... foi interceptado a 400 milhas da costa, no sudoeste do Senegal

Quais os números corretos? Pesquisei no Google Earth e não quero dizer que é o correto, mas lá a medição de Dakar a Fortaleza deu 3.070 quilômetros, 1.658 milhas náuticas. Segundo o aplicativo, O Povo está com a razão. É só fazer as contas.

Aqui, você lê a matéria do Diário:

E aqui, a do Povo:







Falta de respeito


É muito miolo de pote, você pode pensar. Já nem ia falar no erro, tanto a sua repetição. Hoje, porém, um exemplo diferente. Pela primeira vez, vejo um texto explicar que inverno quer dizer quadra chuvosa. No Povo (p.10).

O repórter, principalmente, o especializado, deveria ter o cuidado e a função de "traduzir" para linguagem dos leigos os termos técnicos. Neste exemplo, é o inverso: converte o dizer popular para o padrão técnico. Atente aí:

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais do Crato, José Ildo Silva, diz que, realmente, quando não há 'inverno' (regularidade na quadra chuvosa)

Essa tradução entre parênteses já é estranha, mas aspear o termo inverno na fala do agricultor tem um quê de arrogância. Faltou colocar sic. A tradução talvez se justifique para o leitor urbano. Vá lá. Agora, colocar aspas é avisar para o leitor que o presidente do sindicato falou errado. Se for isso, terá sido falta de respeito à cultura do entrevistado.

E acho que ainda traduziu errado. Inverno quer dizer chuva. Pode haver regularidade na quadra chuvosa - chover pouco, embora regularmente, não é inverno. No máximo, inverno ruim.

Não custa lembrar que, para o povo, principalmente para os trabalhadores rurais (foco da matéria), há o inverno bom, quando chove, e inverno ruim ou mesmo seca, quando mais grave, na escassez de chuva. Inverno para nós é chuva. Fomos criados nessa cultura, a língua não é escrava dos tecnismos. Preconceito.

Aliás, como ouvi de Nonato Albuquerque, no rádio, o Ceará, na verdade, tem quatro estações bem definidas: verão, verão, verão e verão.

Deve ser por isso que a gente fica fora do horário de verão.

Fora isso, a matéria é muito boa, vale a pena ler, clique aqui:Casas de farinha passam por crise

Correção

Caro André,

Muito bons seus comentários e críticas sobre os dois jornais, O Povo e Diário do Nordeste.

Em relação a data da safra da cana-de-açúcar, a matéria do DN está correta. Ela ocorre entre os meses de abril e julho, o que deveria, em tese, levar à queda dos preços de seus derivados (álcool, açúcar etc).

O Jornal O Povo, infelizmente, errou, grosseiramente, na manchete sobre o tema. Lamentável, mas o DN não pode, nem deve em suas matérias, ficar corrigindo erros de outros jornais. Deve cuidar para que suas informações estejam corretas, o que faz sempre.

Grande abraço e parabéns pelo trabalho.

Carlos Eugênio
Jornalista da Editoria de Negócios do Diário do Nordeste.

Este comentário que fiz questão de dar destaque pertence ao post (clique aqui, para entender)Álcool: subiu ou desceu?

Sobre o mesmo assunto, os jornais deram dados diferentes. Um estava errado. O repórter do Diário, numa atitude louvável, posicionou-se firmemente: erro grosseiro do Povo.

Obrigado por participar.

Com a palavra, O Povo.

segunda-feira, 2 de julho de 2007

Regência verbal

O Diário publicou erro de regência verbal no texto de três chamadas da capa.

Chamada da siderúrgica:
O presidente Lula deve chegar amanhã à tarde, em Fortaleza.
Só se for uma fortaleza voadora. Ele chega a Fortaleza.

Do tiro ao alvo:
é necessário obedecer algumas regras
é necessário obedecer a algumas regras

Na manchete:
a situação começava a normalizar
a situação começava a se normalizar

Mas não se esqueceu de obedecer à linguagem exclusiva de jornalistas, na chamada sobre festa junina:
Ninguém corre risco de morte.

Ceará Steel

Outro dia, estranhei o nome da Ceará Steel sem o acento. Um anônimo tentou dar aula, disse que o nome era inglês (?) e tinha visto em vários jornais sem o acento. Povo e Diário deram o bom exemplo do contrário.

Texto da Agência Estado, dos repórteres Vera Rosa e Leonardo Goy, publicado no Povo na matéria Lula pressiona Petrobras por siderúrgica no Ceará:


No Diário, Egídio Serpa é um oásis na imprensa cearense. Só ele acentua a Ceará Steel. Bravo!

Não sei por que tanta subserviência ortográfica.

domingo, 1 de julho de 2007

Olha o inverno aí

A coluna Política do Povo trouxe um exemplo do que já falei aqui sobre linguagem do povo e a linguagem do jornalista. Fábio Campos citou um cidadão:

"No primeiro inverno posterior a essa obra, mais precisamente no dia 05/04/2003, numa chuva de grande intensidade, o riacho
Se fosse um jornalista teria trocado inverno por quadra chuvosa.

N a mesma coluna, "espelho-d'água" foi grifado sem hífen.

Tudo vira bosta - Rita Lee

Lembrei da Rita Lee