sexta-feira, 27 de julho de 2007

Caixa-preta


Legenda de foto de caixa-preta, na p. 6 do Diário, acrescentou uma informação:

na verdade, a caixa é "laranja"

Não entendi o motivo de colocar aspas em laranja. Tornou o leitor curioso e não o informou. Por que caixa-preta se a cor é laranja?

Está na wikipédia: Era freqüente o acréscimo de novos equipamentos às aeronaves, e os pilotos americanos costumavam apelidá-los de caixas-pretas (another "black box" installed in our plane).

Logo se percebeu que, após um acidente, era bem mais fácil encontrar o equipamento entre os destroços se ele possuísse uma cor destacada. Hoje, eles geralmente apresentam uma cor laranja ou vermelho vivo, e têm um transmissor para facilitar o trabalho das equipes de resgate.


O som ambiente das cabinas de comando e o do sistema de áudio são gravados pelo "Gravador de Voz", ou CVR (de Cockpit Voice Recorder), e os dados de performance como velocidade, aceleração, altitude e ajustes de potência, entre tantos outros, são gravados em outro equipamento conhecido como "Gravador de Dados", ou FDR (de Flight Data Recorder).


Erre de menos


Cáceres é uma cidade de Mato Grosso. Embora a grafia seja parecida, não tem o R como na palavra que significa presídio.


Talvez preocupado em não colocar a letra R onde não deveria ter, suprimiu-a também onde deveria estar. Veja a palavra "Federal", que está na imagem acima, publicada no cabeçalho da p. 5 do Diário.

Além do mais, faltou informar onde fica mesmo a cidade. Para quem não conhece, dá-se a impressão que os produtos foram achados em alguma penitenciária. E aí, faltaria o R, e o C seria minúsculo.

Requinte
E ainda faltou N neste título da p.7 do caderno Turismo.

Quem é Cia?



Fiquei achando que era mesmo por fora em matéria de futebol feminino quando vi esta chamada do Diário:

Marta e Cia são de ouro.

Marta, eu até já conhecia, vi os gols, mas esta Cia nunca ouvi falar.

Previsão parcial do tempo

Choveu de novo em Fortaleza, não foi? Não com a mesma intensidade das águas de segunda-feira, a chuva de hoje tem algo em comum com a do início da semana. Também não foi prevista no Tempo no Ceará, do Povo.

Para Fortaleza, indica parcialmente nublado. Uma previsão parcialmente correta.

quarta-feira, 25 de julho de 2007

Comunicado

A coluna Comunicado começou muito bem, tratando da apartação da orla e da política dos coitadinhos. Bem colocado.

Depois, pecadilhos.

Enroscou-se com o hífen. Deixou de colocar onde preciso e colocou onde desnecessário. Os títulos dos tópicos vão entre parênteses:

localiza-se na Praia do Futuro um cartão postal (Aos pandarecos)
surgem feiras-livres em pleno Centro (Grandes encrencas)

Pequena omissão:

Milton Zuanazzi - o homem forte de Valfrido Mares Guia no Ministério do Turismo (Chaves)
Precisava dizer que os dois citados não estão mais no Ministério do Turismo. Poucos sabem que Milton Zuanazzi foi secretário nacional de políticas de Turismo, quando Valfrido Mares Guia era titular da pasta. Hoje, é ministro de Relações Institucionais. Marta está no Turismo. Zuanazzi na Anac.

E ainda escorregou no arco-íris em inglês:

For Raibow

Faltou o n: rainbow.

Independentemente disso, a coluna está muito boa. Vale a pena ler:
Comunicado

terça-feira, 24 de julho de 2007

Imprevisão no tempo







Plantação de postes pegando chuva.



Foto do dia, de Mauri Melo, publicada na capa do Povo. Dia de chuva em Fortaleza, inesperada. Ou alguém foi avisado?



Imprevista, tanto que o Diário não teve uma foto sobre o assunto para publicar. Também pudera! Sobre o tempo trazia, ontem, apenas o quadro abaixo:







O do Povo traz mais detalhes. Previsão para Fortaleza?


Parcialmente nublado.


Assim como para o litoral do Pecém. Não fala em chuva.
Previa chuva para litoral norte, Maciço do Baturité, Cariri e outras regiões.



Para Fortaleza:


Na matéria de hoje, O Povo ouviu a Funceme, mas não questionou sobre a falta de previsão para as chuvas de ontem. Falhou. Veio com novas previsões:

Segundo a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), não há previsão de chuva para hoje, exceto numa área compreendida entre a Capital e o Baixo Jaguaribe, onde as chances são remotas.

Mas o tempo do Povo diz que vai chover:

Nebulosidade variável com chuvas.

A matéria sobre a chuva você lê aqui:

Chuva surpreende cearense





domingo, 22 de julho de 2007

Verão do amor


Belos textos de Gilmar e Eleuda sobre 67. E ainda de Luciano Almeida Filho sobre momento musical. E as ilustrações do Carlus. Um arraso o Vida & Arte.

Com detalhe relevante. Junho e julho tratados como verão. No Brasil, é inverno. Mas pra nós, é verão mesmo. Valeu.

Nadando em ouro


A foto do dia é de Ivo González (O Globo), publicada na 11 do Povo. Esta mesma foto do recordista em medalha Thiago Pereira foi destaque no JB de ontem, ocupando as duas páginas centrais do caderno sobre o Pan.

Título demais

na p. 8 do Povo, exemplo de defeito do projeto gráfico. Essas peças com foto entre dois títulos. São pontos de leitura redundantes e disputam atenção. Dá em poluição como esta

:

Estatística do ombudsman

A coluna do ombudsman está dividida em 9 tópicos:

Barulho 5
Desastre 2
Vaias 2

Muito barulho.
No desastre, defendeu o governo.
Nas vaias, O Povo.

Exorcismo


Haja exorcista se for verdadeiro o que disse a chamada da p. 2 do Povo:

EM CADA 10 mil pessoas que dizem estar possuídas por demônio talvez esteja de fato aprisionada pelo "maligno". É o que diz o exorcista Francesco Bamonte, que participa de Congresso sobre o tema.

Ainda bem que não é isso. Explica-se na p.29:

a cada 10 mil pessoas que se dizem possuída, apenas uma talvez esteja aprisionada

Diário mente

Só mesmo falta de assunto explica o fato de o Diário dar a mesma manchete com 11 dias de diferença. A de hoje até diminui a informação da manchete do dia 11 deste mês.










Naquele dia, o Diário afirmava que o PCC financiara o túnel que daria fuga a presos do IPPOO. Na de hoje, a certeza virou indício. Não justificaria a manchete.

O leitor do Diário foi avisado de uma certeza que agora virou indício. Mas a coisa é pior, a manchete é mentirosa.

A Justiça não confirmou e também não disse que indícios apontam que PCC financiou túnel.

Na pressa de legitimar uma informação, dada com "absoluta exclusividade" (expressão esquisita que o repórter usou para sublinhar o furo), o jornalista deturpou fatos.

Vamos ver primeiro os exageros na capa:

A Justiça Federal elaborou documento, apontando as evidências do envolvimento do PCC, mas não revelou detalhes dos indícios.

Nem poderia revelar. Essa informação dada pelo jornal não procede, como se verá logo adiante. Vejamos o texto do repórter da p. 16, da matéria cujo título Juiz confirma suspeita do PCC, da mesma forma, não corresponde à verdade.

É até possível que o juiz tenha afirmado os indícios, mas o jornal não comprovou. Muito menos na cópia de documento da Justiça (clique na imagem abaixo para ampliar, fica bem legível).

Também é possível que o jornal, mais preocupado em confirmar o furo do que em dar notícia, tenha feito uma leitura apressada do documento. Lá, não há elementos para sustentar o que foi dito na capa e nas páginas internas.

No documento acima, o juiz não afirma ter encontrado indícios. Na decisão, ele primeiro informa o que foi pedido:

"...afirmando a autoridade policial que, ao que foi apurado, existentes indícios veementes que indicam..."

Fica, então, claro que a expressão "indícios veementes" pertence à polícia e não à Justiça.

Depois de ver isso, fica meio ridículo o texto da matéria, principalmente nos seguintes trechos:

A Justiça Federal considera ter encontrado ‘indícios veementes’ de que a organização criminosa de São Paulo, Primeiro Comando da Capital (PCC),

A conclusão é do próprio juiz que está à frente do processo que apura o furto de R$ 164,7 milhões do Banco Central, de Fortaleza, em agosto de 2005.

o juiz federal Danilo Fontenelle Sampaio, afirma que existem “indícios veementes que indicam a participação da falange criminosa denominada Primeiro Comando da Capital no túnel

sábado, 21 de julho de 2007

Egídio Serpa

O abre da coluna Egídio Serpa (Diário) tenta mostrar uma gradação que não existe:

Se já estava seriamente lesionada, a imagem pública da TAM está agora gravemente ferida.

Qual é mesmo a diferença entre seriamente lesionada para gravemente ferida. Pelo visto, a imagem da TAM não mudou nada.

Amizade


A foto do dia é de Thiago Gaspar, publicada na capa do Diário, na chamada da matéria Amigos solidários visitam Albert Sabin.

Voluntários da comunidade Videira levaram um pouco de alegria para as crianças interndas no Albert Sabin, ontem, Dia do Amigo.

Atrasadinho

O Diário só deu hoje, e assim mesmo uma notinha no cabeçalho da p. 5, o que O Povo deu ontem com destaque na capa.

Top top

Os jornais cearenses não deram uma linha sobre o gesto obsceno do assessor especial do presidente Lula, Marco Aurélio Garcia, comemorando a notícia de que o acidente pode não ter sido culpa do governo. Um absurdo revoltante.

O Povo ainda se salvou com Fábio Campos (sempre ele) que comentou o assunto. Em termo de matéria, só mesmo uma citação enviesada na p.16 sob o título "Tarso Genro defende cautela do Governo Lula sobre o acidente":


O ministro se recusou a falar sobre o gesto obsceno de Marco Aurélio Garcia.


O jornal também se recusou.


Pior ainda foi o Diário. Nem uma linha sobre o assunto, nem mesmo de forma atravessada. nem os bravos colunistas. Que feio!


Os grandes jornais deram o assunto na capa, incluindo o nordestino Diário de Pernambuco:

Folha de S. Paulo

O Globo



O Estado de S. Paulo











O vídeo com as nojeiras pode ser viso no post mais abaixo: É de foder!!!

Decolagem no ar

Esta é da seção "2 min", da p.16 do Povo:

O piloto abortou a decolagem ainda no solo, depois que uma ave entrou na turbina esquerda do avião.

Ora, se não tivesse abortado a decolagem ainda no solo, ele teria decolado. Pois, não?

Editorial alegre


O editorial do Povo fala sobre a morte de Antônio Carlos Magalhães, maior político baiano e um dos mais influentes da recente história brasileira. Um patrimônio, embora alguns estúpidos afirmem que o Brasil ficou melhor sem ele.

O editorial termina assim:

Parafraseando Fidel Castro, com quem teve contatos joviais, a História é que dará o veredito a ACM.

Fiquei na dúvida se os contatos foram alegres (joviais) ou na juventude (e aí, seriam contatos juvenis). Imagino os dois juntos dando risadas em seus encontros.

Talisca

Ao ler a sempre agradável coluna sabatina "Das antigas", de Demitri Túlio, no Povo, encontrei esta palavra:

Não havia tarisca que acendesse fogueira

A palavra não existe no dicionário. Deve ter querido dizer "talisca": Pequena lasca; estilha.

Camisa do Pan


sexta-feira, 20 de julho de 2007

É de foder!!!

Depois de Marta, com seu "relaxe e goze", o governo exacerbou ao reagir a notícias sobre o acidente da TAM. Com gestos obscenos, Marco Aurélio Garcia e seu assessor comemoram a possibilidade de o governo não ter culpa no acidente. Como se isso fosse possível. Num momento de comoção e solidariedade, o gesto é desprezível. Eles seriam demitidos sumariamente em qualquer governo sério.


Rei Naldo

Sobre o tema acima, recomendo com entusiasmo a leitura do comentário de Reinaldo Azevedo em seu blog. Clique aí embaixo e leia. É daqueles textos para se guardar:

Os nojentos

Grande

Foto do dia mostra emoção de Paula Pequeno, do vôlei, que entregou o ouro ao bandido (cubanas). De Sílvio Ávila (CBV), foi publicada no Povo.

Tio do tiro

Essa mania de chamar de tio todo mundo que é mais velho que a gente deve ter feito o autor da chamada ao lado, da capa do Gol (O Povo), trair-se. Em vez de colocar no sobretítulo "tiro rápido", colocou "tio rápido".


Achou pouco e ainda errou a concordância:

Cearense ficam

A chamada é sobre a medalha de bronze conquistada no PAN pelo militar cearense Fernando Cardoso Júnior (foto à esquerda), na categoria tiro rápido pistola 25 metros.


Aqui, a matéria: Tem cearense no pódio



Telefone mudo

Boa matéria de Demitri Túlio (O Povo, p.14) com a mãe do piloto Kleiber Aguiar Lima, que comandava o avião da TAM acidentado em Congonhas. Sempre que havia algum acidente, o piloto ligava para tranqüilizar a mãe. Desta vez, foi diferente.

Leia a matéira aqui
O telefone não tocou

Geografia


Li esse título no Jogada (Diário) e pensei que os jogos se dariam em Manaus, Belém, Boa Vista etc. Essas capitais ficam na região Norte (com n maiúsculo). Mas, para surpresa, a sede dos jogos é Sobral, na zona (ou região) norte (n minúsculo) do Ceará.

Particularidade única

O abre da manchete do caderno Turismo (Diário) traz esta redundância:

A cidade conquistou particularidades únicas que ganham fama

Ora, o que é particular é único.

quinta-feira, 19 de julho de 2007

Tá frito


De Cid Barbosa (Diário, Cidade p14), na matéria

Cine pornô e promoção



O Diário aproveitou uma agenda, fiscalização municipal e se antecipou ao visitar salas de cine pornô e descrever o ambiente nojento. Não recomendo a leitura. Se insistir: Salas estão em situação precária

Noutra chamada, fez o inverso, ficou na burocracia. Sobre a queda do preço do frango abatido. O termo promoção é citado duas vezes, mas não explicado. O jornal ficou mais na promoção do que na informação.

Manchete errada no Diário



Autor da manchete deve ter lido a matéria apressadamente e misturou os números, que ele mesmo escreveu logo abaixo:

As equipes do Corpo de Bombeiros retiraram dos escombros, até as 21 horas ontem, 179 vítimas do acidente, de acordo com a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo.

Então, o número oficial de corpos resgatados é de 179 e não 182. Mas, resolveu somar:

Outras três pessoas morreram a caminho dos hospitais totalizando 182 vítimas.

Vítima é termo correto. As três pessoas que morreram a caminho dos hospitais não foram corpos resgatados. É uma soma que desinforma. Leva a crer que todos já estavam mortos. Não pode misturar.

Logo adiante:

foi marcado por atrasos e cancelamento de vôos

Atraso no plural + cancelamento no singular = único. E não é verdade. A matéria fala em três cancelamentos. Ou tudo no plural ou tudo no singular.


Se quiser conferir:
Atrasos chegam a cinco horas
Número de mortos pode chegar a 200


Apagão no Povo

A TV O Povo debateu sobre o acidente aéreo. Matéria na p.11 narra como foi. O texto derrapa numa frase e explode numa desinformação:

O deputado disse que o Congresso está tentando pressionar o governo a solucionar para a crise área no País.

Não sei se para aumentar a legitimidade do debatedor, está escrito:
O deputado Raimundo Gomes de Matos foi o único cearense entre 30 parlamentares integrantes da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Apagão Aéreo na Câmara

Só há realmente um cearense na CPI do Apagão, assim mesmo suplente: Leo Alcântara (PR). Os tucanos têm três titulares (2 SP + PR) e três suplentes (SP, RJ, MG). Assim está no portal da Câmara dos Deputados, atualização de 3/7/7.

Você lê a matéria aqui Acidente é tema de debate na TV O POVO

Dor


Foto do dia é de Lumi Zunica, da Agência Estado publicada na capa do Povo, que arrasou. A capa está muito bonita. Mas ainda acho que poderia melhorar. Tenho a impressão que ficaria melhor a foto acima do título. Dor ficaria na dobra se derramando para o resto da página.
Alguém não toparia fazer essa modificação do photoshop e me enviar?



Vaias

Carta que o Diário escolheu para publicar:

Os cariocas não tem esse direito de vaiar o presidente Lula, até porque grande parte do dinheiro arrecadado pela União está sendo aplicada em projetos sociais no Rio, como também na área de segurança, onde só de viaturas foram entregues 1.000. O que eles querem mais?

Acho mais louvável esse argumento do que o da orquestração. E ainda a tentativa de manipulação bradada a partir do site do deputado petista Rosinha e se espalhado. O deputado Nelson Martins ecoou o brado na Assembléia: a vaia foi ensaiada. Prova? Um vídeo no You Tube registrando vaia durante o ensaio da cerimônia.

Ora, cá pra nós. Combinar, até pode. Mas ninguém ensaia vaia. Aquilo foi o prenúncio. E era provável apesar de todo o esforço do governo Lula pelo Rio e pela bela grana jogada no Pan. Apesar disso, era previsível. Dito há algum tempo por quem entendia do assunto, Nélson Rodrigues: no Maracanã, vaia-se até minuto de silêncio.

Era passar ao largo, cumprir o ritual. Sua autoridade e a circunstância calariam as vozes, e os aplausos viriam. Aquilo de amarelar diante de uma possível ovação foi coisa de assessor exxperto.

Volto depois

Tive que sair para voltar só mais tarde.

Deixo com vocês alguns temas:


apagão no Povo

quantos cearenses no vôo da Tam: 5 (O Povo) ou 3 (Diário)?

manchete errada do Diário

informação ou promoção?

direito a vaias


Enquanto isso, reflitam sobre a charge do Sinfrônio.


Não é tão fácil de achá-la no portal do Diário, tiraram-lhe visibilidade e lhe criaram dificuldade.

quarta-feira, 18 de julho de 2007

Jade

Foto do dia está no Diário. Jade, depois do nervosismo do dia anterior, recupera a confiança e conquista seu ouro.

Maus títulos


Que títulos esses do Diário.
Colocar sigla, fuja disso. Era melhor dizer "no Dragão" do que "no CDMAC" (Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura). Está na p. 10.


Esse é demais. Assim que vê, dá vontande de ler "Torcida dá apoio a Leanderson certo". É, a torcida não iria apoiar o Leanderson errado. Muito sábia. Tentativa ruim de sintetizar no título os principais assuntos da matéria. Bola murcha da p.20.

terça-feira, 17 de julho de 2007

Diário desmente O Povo

Ontem, O Povo deu a seguinte notícia:


Além do título fazer doer os ouvidos (trocargás), a notícia parece não ser verdadeira. O pessoal do Diário deve ter sentido um gostinho diferente ao fazer a seguinte matéria, que saiu hoje na p. 3 do Negócios:

O Povo fez uma matéria se baseando em nota que saíra na revista Exame. Ouviu o presidente do Conselho de Desenvolvimento e um executivo da Ceará Steel, que negaram. Mesmo assim, tacou aquele título, leviano.

O Povo terminou assim a matéria:

Durante a tarde e o início da noite de ontem, O POVO procurou falar com Geovani Coassin, um dos representantes dos investidores do consórcio, mas o celular dele estava desligado ou fora de área e não dava acesso à caixa postal.

Deveria ter insistido no dia seguinte. Teria evitado levar um desmentido do concorrente. Ficou feio. E ainda falta O Povo corrigir a informação.

Você lê aqui as matérias:

O Povo
Investidores podem trocar gás por carvão

Diário
Ceara Steel nega que vá usar carvão

Acabou a capa

Descuido enfeou o texto da manchete do Povo, uma repetiçãozinha besta, no texto principal:

Sargento Otacílio acabou confundindo o soldado... Mas o pai do soldado, o escrivão Péricles, da Polícia Civil, acabou acertando o sargento Otacílio

Língua de jornalista

Um amigo jornalista defende a tese de que seus colegas não fazem o jornal dirigido aos leitores, mas para os próprios jornalistas. Dou-lhe razão na medida em que encontro expressões que os repórteres usam para dar satisfação aos colegas, os leitores que se adaptem ao seu linguajar. Exemplos disso nos jornais de hoje.

Já disse aqui, a repeito dos assunto, que é a novilíngua dos jornalistas, aquele sistema idealizado na obra de Orwel. A língua como dominação. O mais chato é a argumentação, baseada sempre num raciocínio literal, linear, curto, obtuso, e uns floreios de lógica de botequim. Volto ao assunto adiante.

Palavra que está em desuso é "continuar", tudo agora segue. Como nestes três exemplos da capa do Diário:

A situação no local segue inalterada.
A seleção feminina de vôlei do Brasil segue 100% no Pan.
Sem solução no momento, o ato segue por tempo indeterminado.

E na manchete da p.17
Meninas seguem com 100%

e seguem rumo à medalha

Jornalismo é precisão. A mesma atenção com que emprega números numa informação deve ter na escolha das palavras. O vocábulo "seguir" é por demais polissêmico para usarmos com tanta freqüência em notícias. Há 25 signicações para o verbete no Aurélio. O sentido empregado nos textos jornalísticos é o décimo terceiro a ser citado no dicionário. Nem se fosse o primeiro, não justifica tanta repetição.

Também tenho uma tese. Essas estranhezas se originam na falta de talento de quem faz título. Desafiado para colocar palavras num pequeno espaço, procura assemelhadas que caibam ali, mesmo que o sentido não seja idêntico. Vai deturpando a essência das palavras. Aí, uns bocós acham bonito, pensam que é um charme no texto e tacam a repetir a bobagem.

Estes, porém, são de outra natureza, uma certa inteligenztia (todas e todos) passou a fazer revisões de expressões consagradas. Os imbecis da objetividade decretaram o fim do risco de vida (isso seria ótimo, né?). O argumento, vou repetir o comentário de leitor, que achou por bem não se identificar.

Risco de vida todos querem correr. Não se trata de "coisa de jornalista metido a besta, os idiotas da objetividade", mas do correto.

Quem é que quer correr risco de vida, meu Deus? Ele esbravejou e disse que o correto é risco de morte. O argumento é idiota porque esqueceu que a língua tem sua própria lógica, tem história, tem cultura, é assim que o homem vem se expressando. Se quisesse seguir o padrão "cartesiano" que tentam apresentar, a expressão "risco de vida" teria que ser trocada para "risco de morrer". É mais literal, mais a ver com esse tipo de raciocínio.

Todo mundo fala correr risco de vida. Até mesmo os jornalistas. Agora, na hora de escrever...
O que os coleguinhas vão dizer? ( A Folha defende a expressão, segundo me disseram). Então, passam a usar risco de morte, não como alternativa mas em exclusão a risco de vida. Não se preocupam com os leitores. Isso revela, como diria, arrogância.
Novilíngua total.

O mau exemplo da capa do Diário é este:

Cinco pessoas ficaram feridas, mas sem risco de morte.

Tenho a impressão de que o autor forçou o texto para mostrar pros coleguinhas: "olha, eu também uso risco de morte".

O mau exemplo do Povo está na p. 12:
o paciente corre risco de morte.

sábado, 14 de julho de 2007

Fotos do dia




De Fco. Fontenele, na capa do Povo
De Fábio Lima, no Diário