sábado, 19 de janeiro de 2008

Chuvas de verão

O Diário destacou o inverno na capa. O Povo, o verão.
Quem falou aos cearenses?


















Pensando bem, pensando melhor, o Norton tem razão. Aquela frase do presidente do Povo - o melhor jornal brasileiro para os cearenses - é desastrosa para o jornal e já impregnou a redação. O Povo não fala para os cearenses, mas para os brasileiros. Esse conceito talvez seja uma das causas para a queda no número de leitores. Muito lamentável.

Parece um reconhecimento de que o melhor jornal cearense para os cearenses é o seu concorrente.

A Folha se propõe a ser o melhor jornal paulista para os paulistas, assim como o Estadão. O Globo, o melhor jornal carioca para os cariocas. Daí serem grandes jornais brasileiros.

CHUVAS DE VERÃO - talvez não fala em inverno para não contaminar o evento "Verão Vida & Arte". Então, por que não diz logo que são chuvas de verão? Para nós, vida e arte é o inverno que traz.

O Povo detesta inverno

Saudade é palavra que não encontra equivalente em carga emocional em nenhuma outra língua, dizem os estudiosos. É de difícil tradução. Inverno, para nós, também tem sentido todo especial, fala de nossa alma. Significa vida, fartura, alegria.

Os outros nem gostam de inverno, dizem que o tempo é ruim quando chove. Pra nós é tempo bom. É uma palavra que nos é muita cara. Dizem sempre que o melhor governo pro Ceará é um bom inverno. Então, como explicar que o jornal O Povo o tenha excomungado de suas páginas? O vocábulo virou um anátema.

A Funceme divulgou seus prognósticos sobre o inverno deste ano (que eles chamam de quadra chuvosa). Teremos bom inverno, como já haviam antecipado os profetas sertanejos, dias antes.

O Diário acertou em dar manchete ao tema que interessa a todos os cearenses. O Povo deu numa chamada na parte inferior da capa.











Agora, a curiosidade. A palavra inverno não aparece uma única vez nas páginas do Povo. Vou repetir. Nem uma vez. Já a expressão "quadra chuvosa" alagou o texto, citada sete vezes. Numa delas, o repórter diz que nas serras a tendência é que "a quadra seja mais intensa".

Ora, na edição do dia 15, já havia cometido um desaforo com nossa cultura, com nosso povo. Depois de um agricultor explicar que o inverno (a repórter colocou entre aspas) chegou, foi dito isto: O que ele chama de inverno é a quadra chuvosa, que no Cariri começa mais cedo.
Está na matéria Com a chuva, agricultores começam a plantar no Cariri

Na edição de hoje, O Povo trouxe um glossário dos termos meteorológicos. Começou com uma explicação indispensável sobre chuva. Preste atenção, para nós o contrário de inverno é verão, seca, estio. Sabe qual o termo para explicar um período de ausência de chuvas durante nosso inverno? VERANICO.


No Diário, houve quatro citações de inverno, três na capa e uma no título da p. 9.
Mas no texto dos repórteres, também houve estiagem. Só dá quadra chuvosa. Não largaram o termo nem para evitar repetição, como neste trecho da p.10:
participantes do Comitê de Planejamento e Execução de Ações para a Quadra Chuvosa, após o anúncio da quadra chuvosa do Ceará.
Pois é, nesta matéria (Prefeitura reforça ações preventivas), o inverno também perdeu de goleada: Quadra Chuvosa 6 x 0 Inverno.

Pequenas obras

No Diário

O novo presidente do Sinduscon, Roberto Sérgio, disse que a prefeita Luizianne Lins, com suas "pequenas obras", não enfrenta o déficit habitacional (coluna Egídio Serpa).

"Ela ressaltou, em alto e bom som, ser a autoridade que mais garante casa própria para a população cearense" (coluna Leda Maria).

Além do Horizonte



Além do Horizonte, existe, também, o Quixadá.







Frase de Carlos Augusto Viana, na coluna É... (Diário).

Quem?

Novo publicitário, na p.5 do Povo.

S DE MAIS na p. 9.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Não às Farc


Peguei a imagem no Noblat

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Onde fica o Boqueirão do Cesário?

Em Morada Nova, segundo matéria de hoje do Diário.

Em Beberibe, segundo matéria do Diário em outubro passado.




E onde fica a "Autocrítica'?
Na p. 2 do Diário.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Royalties - não fique por fora

Para explicar o que é royalties, tema da manchete do Diário, o jornal acrescentou um elemento - "fique por dentro" - como se fosse um glossário. Explicou pela metade. Buscaram na internet, certamente no site Comciência, da SBPC, e colaram o seguinte texto:


A palavra royalty tem sua origem no inglês royal, que significa "da realeza" ou "relativo ao rei". Originalmente, royal era o direito que os reis tinham de receber pagamento pela extração de minerais feita em suas terras. No Brasil, os royalties são aplicados quando o assunto é recursos energéticos, como o petróleo e o gás natural

Não é bem isso, o mercado de franquias, por exemplo, conhece bem o termo. O franqueado paga royalties ao franqueador. Pode ser cobrado em várias situações, até de propriedade intelectual.

Assim define o Houaiss:

1 compensação ou parte do lucro paga ao detentor de um direito qualquer, p.ex. de uma patente, concessão etc.
Ex.: r. sobre certa marca industrial
2 parte acordada da receita de uma obra qualquer, paga ao autor, compositor etc., ger. em forma de percentagem sobre o preço de custo a varejo de cada exemplar vendido
Ex.: viver dos royalties de um único best-seller


CONTROL C - o site poderia até cobrar royalties do Diário pela cópia do texto - um artigo de Sara Nani - que o jornal "esqueceu" de citar.

Por conta

O uso inadequado da expressão "por conta de" está virando uma praga, nas palavras de Josué Machado:

"Por que será que tantas pessoas passaram a usar a expressão por conta de em vez da limpíssima e castiça locução por causa de? Talvez achem por causa de muito simples, quem sabe vulgar, pouco literária.
Sem o modismo papagaial, deveria ser usada a locução conjuntiva perfeita para expressar causa - por causa de; ela aparece sempre antes de substantivo."

Um mau exemplo está no texto da manchete do Povo de hoje:

Mais três mortes foram confirmadas no País por conta da doença.

O site Vestibular Uol dá uma dicas:

Por conta de
Não use por conta de como sinônimo de por causa de, em razão de, mas no sentido de a cargo de, sob responsabilidade de.

Escreva
A elaboração da planta ficou por conta do doutor Ruy.
Por causa do novo trabalho, o pai não poderá tirar férias.

Não escreva
Por conta do novo trabalho, o pai não poderá tirar férias.

Febril


Na capa do Diário, esse erro de concordância.

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Promoção telecheque


Fiquei na dúvida se a manchete de hoje do Diário era jornalismo ou publicidade. A matéria tenta convencer os comerciantes de que é mais vantajoso vender parcelado no cheque pré-datado do que no cartão de crédito. Quem escolta os argumentos é o pessoal do Telecheque, empresa que se beneficia com o serviço. Ninguém das operadoras de cartão foi ouvido.

Mais um elemento publicitário de convencimento foi esse destaque dos 40%, que seria o percentual de redução dos custos nas vendas. Puro chute. As contas não batem. Aliás nem são apresentadas. O repórter nem se preocupou em checar os números para conferir redução tão drástica. Apenas lero: fim da CPMF, aumento do IOF, taxas. Para chegar a 40% tem é Zé.

Aí tenta convencer que também é bom para o consumidor. E ainda diz que o consumidor não sabe que há uma operação de crédito nas compras a prazo, na matéria de capa do caderno Negócios: nas compras a prestação quando a loja parcela o valor, mas recebe a quantia à vista da administradora do cartão. Nesse caso, sem o cliente saber, há uma operação de crédito acontecendo, encarecendo a transação

Tenho a impressão que todo consumidor sabe que prestação é sinônimo de crediário. O que ele pode não saber é que há um custo para o lojista, repassado ao cliente.

Na segunda matéria sobre o mesmo assunto, com um título que mais parece uma ordem que uma previsão (Utilização deve subir 10%), um argumento estranho do Telecheque é assumido no abre da matéria: A estimativa é do Telecheque. Para a empresa, uso do pré-datado dá mais acesso para a baixa renda

Sem dados seguros, ouso também dar meu chute. É mais fácil uma pessoa de baixa renda ter cartão de crédito do que cheques. Duvida?


TROCA DE SEXO - ainda na capa, na chamada "Pelo telefone, bando aplicava golpes no Rio", esta promiscuidade: Três acusados já foram identificados. Duas foram presas. O terceiro já estava no presídio


Quantas havia?

Na p.8 do Diário.
E quantas vias havia na Carapinima? Teria querido dizer "trecho"?





Liberdade digital

Assim se faz. O blog Liberdade digital corrigiu um equívoco que apontamos aqui, no post Celibato não é abstinência sexual. E ainda publicou agradecimento.

Ora, os meteorolgistas...

Sobre o inverno, que querem abolir nos jornais, recebi simpático email de um jornalista do Povo, que prometeu levar o assunto para discutir na redação. E deu uma explicação:

"É que já fomos advertidos por meteorologistas que julgam inadequada a palavra inverno".

Ora, se os meteorologistas erram tanto em seus prognósticos, como seguir uma orientação sobre o que não é do ramo deles?

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Bom inverno

Nas comemorações dos 80 anos do Povo, o presidente disse querer que o jornal seja o melhor do Brasil para os cearenses. Boa frase, mas seus repórteres escrevem para os que não são cearenses. Como se tivessem vergonha de sua cultura, de seu linguajar.

Foi o que aconteceu na p.12, logo no abre da matéria Profetas da chuva prevêem inverno bom. O título está ótimo, agora olhe o que foi escrito na abertura:
"Inverno" (quadra chuvosa) favorável este ano com chuvas maiores entre os meses de março e abril.

Que doido, meu! Colocou inverno entre aspas para explicar: "quadra chuvosa", essa horrorosa e onipresente expressão. O texto parece dirigir-se a leitores fora do Norte e do Nordeste.
Atentem para a "explicação" neste trecho:

A maioria está otimista com o que chamam de "inverno". Na verdade, falam da quadra chuvosa que, historicamente, começa no próximo mês e vai até maio.

Que é isso, gente!? Qualquer cearense vai entender o que é inverno, não precisa de nenhum jornalista para explicar. Por que essa boçalidade, se até os dicionários registram?

Veja o verbete inverno, sem aspas, nos dicionários:

AURÉLIO: 3. Bras. N. N.E. Estação das chuvas.

HOUAISS: 3 Regionalismo: Norte do Brasil, Nordeste do Brasil.
estação das chuvas, que ocorre no verão e no outono

Até o dicionário português sabe disso (só não o povo do Povo e do Diário):

CALDAS AULETE: 3 Bras. N N.E. A estação chuvosa, ger. no verão e no outono.

Depois dessas explicações, espero que os jornalistas tomem vergonha e não tenham vergonha de falar nossa língua, a língua do povo. Se não, vai ser difícil dizer que o tempo está bonito para chover.

Além do mais, essas aspas (um acinte) em inverno são de mau agouro. Vote!


E AINDA - houve tanta preocupação em explicar o que é inverno e colocar aspas nele que cometeu estes errinhos: chuvas maiores entre os meses de março e abril
Melhor: chuvas maiores em março e abril

O inchu (colméia de forma globosa de abelha)...
A grafia correta é enxu.

Reúso tem acento

Tudo bem que é uma palavra nova, não consta no Aurélio, mas o Houaiss já registra. Mesmo se não houvesse o verbete no dicionário, o mais seguro é seguir os padrões da língua para acentuação gráfica de hiatos. Está grafado errado na capa do Povo, na chamada que fala de reúso de água na construção civil.

Mais duas distrações. A legenda da foto do jogo veio sem inicial maiúscula. E na chamada sobre internet: O prazo encerra em junho.
Encerra-se.

Penduricalhos


O redator da capa do Diário é tão fã do Pinduca que, além de chamá-lo de genial, disse que o evento que vai homenageá-lo é o "carnaval do carnaval". Será que a repetição é para entrar no ritmo do carimbó?

Agora, outros penduricalhos, daqueles que o paraense usa no chapéu.

NO CASO - O abre da matéria da p.12, boa pauta sobre as calçadas impróprias para pedestres, disse isto: Em Fortaleza, elas são ocupadas para vários fins, quando não estão em péssimo estado. No caso, quem perde é o pedestre
Esse "no caso" é mais um trambolho no texto, como aqueles que se colocam nas calçadas. Retirem esse obstáculo do passeio.

PRECISÃO - Na p.16: o assalto ocorreu por volta das 00h37
Se há tanta precisão, esse "por volta" só faz atrapalhar. Terá sido 00h36 ou 00h38. Gente, não se usam essas aproximações (cerca de, por volta, etc) em números quebrados.

EM ÓRBITA - Mais uma da Polícia, na p.17: logo constataram que o motorista estava em óbito
Assim, quem morre é o idioma.

CRIME GRAVE - Mais ainda na p.18 (boa matéria): Assaltos a mão armada nos cruzamentos
Levaram de assalto o acento grave, que caracteriza a crase.

SINGULAR - Na p. 2 do jogada, na matéria "Granja estréia contra Tapajós": Competição que reúne os campeões e vice das Ligas Regionais...
Tal como escrito, apenas um vice vai disputar. Vice, aí, é forma reduzida de vice-campeão. Um substantivo. Portanto, deveria estar no plural. A não ser, claro, que seja apenas um concorrente.

Celibato não é abstinência sexual

O blog Liberdade digital fez uma pequena confusão no post Sexo só depois das 22 horas e de luz apagada. Confundiu celibato com castidade. Lamentavelmente, a wikipédia contribuiu com a impropriedade do termo. Celibato, tampouco, é coisa de padre. É coisa de quem não se casa. O celibatário pode ser muito mais ativo sexualmente do que um casado.
Aliás, há quem diga: quer parar de fazer sexo com alguém, case-se com ela (ele).

domingo, 13 de janeiro de 2008

Povo imperativo

O Povo gosta de falar em interatividade de suas mídias. De interativo, a imperativo. Dá ordens aos leitores em cinco de suas chamadas da capa:

- Saiba tudo no guia do festival...
- Acompanhe uma viagem de ecoturismo...
- Confira as estréias do cinema...
- Entenda a onda de boatos...
- Faça um passeio a pé...

E ainda disse, na manchete, que a Coelce é uma empresa cearense. Foi. Agora pertence à espanhola Endesa.

Na capa do Ciência & Saúde, uma manchete gaga:

Assim não vale

A coluna Leda Maria (Diário), certamente com o intuito de homenagear o compositor Stélio Vale, falecido na semana passada, publicou a letra da música "Apaixonadamente", gravada por Fagner:
Não é preciso fazer / novas juras de amor / Nem é preciso tentar/ esquecer qualquer dor. Basta que essa paixão/ seja aquela paixão que outrora existia / basta que eu te queira agora como eu queria. Deixa que os meus abraços/ tenham a força do olhar/ deixe que tuas palavras / digam tudo que há/ não é possível saber / como tudo voltou assim tão de repente/ nada se pode explicar apaixonadamente...
(Stélio Valle)
Detalhe: a letra é de Francis Vale, parceiro de Stélio, autor da bela música. Era só ter lido matéria publicada no próprio Diário na edição anterior.

Outra gafe da coluna, na nota Revelações:
Uma carta bonita de Leonardo Boff para Oscar Niemeyer marcando os 100 anos de vida do arquiteto diz:´Ele foi o único santo vivo que eu conheço e é comunista. Permaneceu humilde e vive de acordo com a vontade de Deus´, completa o sacerdote cassado.

Desinformou. Boff foi condenado, em 1984, a um ano de silêncio obsequioso e deposto de todas as suas funções editoriais e de magistério no campo religioso, por ir de encontro à posição oficial da Igreja. A pena foi suspensa dois anos depois.
Em 1992, sentindo-se ameaçado com uma segunda punição pelas autoridades de Roma, renunciou às suas atividades de padre.
Jamais foi cassado.

Agradeço a colaboração enviada por uma pessoa que se diz de dentro do Diário. Diz ele que isso é apenas uma gotícula do que acontece na coluna.

Insolência

Exemplo típico de arrogância dos jornalista deu hoje o Diário na p.15, na matéria sobre atuação de barracas pelo Procon:
Ele [dono da barraca] também tentou impedir o trabalho da fotógrafa do jornal, que cobria a blitz, dizendo que não queria ser fotografado.

Típico, típico. A repórter informa que o empresário foi autuado por não alertar no cardápio a cobrança dos 10% para o garçom, fato comuníssimo não só em todo o litoral, mas na quase totalidade dos estabelecimentos afins.

Mais grave é querer fotografar alguém sem sua permissão para publicar no jornal. O direito da imagem é inalienável. O jornal deveria ter se desculpado. Ao contrário, acusou o cidadão de tentar impedir o trabalho da fotógrafa. Que procure trabalhar, respeitando os direitos básicos dos outros.

Diário esconde erros

O Povo, a exemplo de grandes jornais, costuma reconhecer seus erros, até os menores. Embora ainda muitos fiquem de fora.

O Diário tenta passar para seus leitores a idéia de que faz o mesmo, raramente isso acontece. Escravo de um projeto gráfico engessado, a seção "autocrítica" é publicada todo dia, geralmente com a surrealista frase "Autocrítica continua à disposição dos leitores interessados em melhorar a qualidade do Diário". É o que chamo de terceirização.

Ontem, foi dito que o PM morto em Potengi, em tiroteio com assaltantes de banco, era o segundo caso neste ano. Hoje, na p.17, dentro de outra matéria, a informação é outra. E é apresentada sem falar no erro da edição anterior.


Outro exemplo é a foto da capa do Gente, do réveillon do Marina Park Hotel. A mesma foto já fora publicada na capa do jornal na primeira edição deste ano. Naquele dia, foi dito que era do réveillon do Aterro da Praia de Iracema. Até hoje, não houve correção.

sábado, 12 de janeiro de 2008

Tiroteio no leitor

Povo e Diário fazem tiroteio de informações desencontradas sobre um assalto a banco no interior, que resultou na morte de um PM e de um assaltante. Quem errou? Pelas pistas, o Diário.

Logo na manchete, o jornal se contradiz ao afirmar que houve dois tiroteios. O bandido teria morrido no segundo:

Antes de invadir o banco, os ladrões atacaram primeiro a sede do destacamento da PM (se usou o "antes", é desnecessário esse "primeiro"). Em Santana do Cariri, após novo tiroteio, um dos bandidos foi atingido e morto.

Tudo invenção, não houve novo tiroteio, e o bandido fora atingido na saída do banco. Pelo menos, é o que atesta o texto do repórter (recheado de errinhos ortográficos) na p.16:
Ali, a Polícia acabou encontrando o corpo de um dos quatro assaltantes. Ele havia saído ferido no confronto que ocorreu na porta do banco.

Depois do confronto Diário x Diário, vamos ao Diário x Povo.
No Diário, foram mortos 17 policiais em 2007 (no Povo, 16), e este seria o segundo caso em 2008 (o primeiro, de acordo com o Povo). No Diário, o PM teve morte imediata. O Povo disse que ele chegou a se abrigar em um bar, onde morreu.

Mentir com números



O livro de Darrel Huff já tem tradução no Brasil. Uma chamada do Diário me fez lembrar dele. O jornal disse que "Inflação dobra de 2006 para 2007 na Capital". Nem vou falar da desnecessária inicial maiúscula em capital. Vamos aos números.



Se a inflação subiu de 2,62% para 4,18%, a elevação foi um pouco inferior a 60%. Para dobrar, 100%. Então, o erro do jornal foi de apenas 40 pontos percentuais. O título do caderno Negócios é menos grave, mesmo assim denota falta de atenção com os números.


ESTRUPÍCIO - o que está havendo com a capa do Diário, o redator está de férias, o revisor caiu na folia? Além do problema com os números, também com os textos, a exemplo desta redação trôpega:
A 20 dias para o Carnaval, mas os fins de semana de Fortaleza já vivem clima de folia.

Opções:
a) Ainda faltam 20 dias para o Carnaval, mas...
b) A 20 dias do Carnaval, os fins de semana...


Discordância

O Povo vem vacilando na concordância, até mesmo nos títulos. Hoje, na p.10, mais um exemplo:
DISCIPLINA - Matéria do Povo (p.8) colocou a Urca em Sobral:
O professor Fábio Queiroz, do curso de História da Urca de Sobral

S DE MAIS - Deveria ser "asiática" neste subtítulo da p.28:

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

As percas do Diário

Perca é um peixe, mas o jornalista do Diário resolveu usar duas vezes essa palavra, na p.4, como um substantivo derivado do verbo perder, na matéria TRE arquiva primeiras ações por infidelidade:

os dois processos foram arquivados por perca de objeto.

Ainda na p.4, falou em fechar nomeação. E quando vai abrir?

Na capa, escorregou na regência do verbo implicar, transitivo direto neste caso: não implique em aumentos

CACOFONIA - Na p.17, uma chamada gagá:

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Sem suprimento

Trocaram o nome da banda, na capa do Povo.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Clareza?

Legenda da principal foto da capa do Povo diz que "será feita demolição das paredes que continuam de pé". Não poderia ser diferente, né?

Gol contra

As páginas de esporte do Povo trouxeram três errinhos. Aliás, quatro. Pois este, da p.19, tem dois em um.

O plural da palavra júnior não tem acento gráfico, e a tônica é no "o", com timbre fechado (ô):



Na mesma página, diz na legenda que o Fortaleza enfrenta hoje o Uniclinic. O Leão joga contra o Guarani.

E ainda engoliu o S num título da p.17:

Sem palavra

No Povo

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Palavra do presidente

No Diário.

domingo, 6 de janeiro de 2008

Viaduto cai sobre os jornais

Povo e Diário, mais uma vez, com informações desencontradas sobre o mesmo fato. Foi a manchete da capa do Diário, que fala em cinco feridos (quatro deles, gravemente) e que havia cerca de 15 trabalhadores na obra, durante o acidente. No Povo, tudo é menos. Os feridos foram quatro, os ferimentos leves, e havia pelos menos 10 trabalhadores.

O Diário cometeu este texto, na capa:
por conta da gravidade, quatro deles foram encaminhados ao IJF. Eles ficarão em observação, sem risco de morte.

Além de demonstrar desapreço à lingua - com a boçalidade do "risco de morte" -, o jornalista também demonstrou que não leu a matéria sobre a qual fez a chamada. Ele simplesmente inventou gravidade nos ferimentos, pois a matéria na p.13 diz o contrário:

Apesar dos ferimentos, o pediatra João Batista, chefe de emergência do IJF, informou que o estado dos carpinteiros não era grave. “Eles estão conscientes, tiveram torsões, contusões, sobretudo nos membros inferiores, mas estão bem”

Pelo visto, os operário sofreram apenas torsões e contusões, segundo o médico. Parece que quem estava com problemas graves era o autor do texto.

Desaparecimento

Os óculos de Frei Tito desapareceram do museu. Também desapareceu o plural em alguns trechos dos jornais.

O Povo errou na capa e acertou na p.2:




O Diário fez o inverso. Concordância correta na capa, mas errou duas vezes na p.15. No abre e na legenda.

sábado, 5 de janeiro de 2008

Caixa-alta


O uso de maiúsculas nesta colação de grau da Unifor, na capa e p.10 do Diário, deve ser em homenagem ao patrão.

Diário leva furo

Além de levar o furo, o Diário ainda erra ao noticiar o fato no dia seguinte.

Enquanto o Povo deu manchete, com nome da juíza que decretou a prisão, o Diário, na p.13, saiu-se com esta:

A Justiça ainda não acatou o pedido de prisão preventiva dos empresários.


ERRO GRAVE

Na mesma página, o Diário chamou de graves (circunspectos?) os feridos. Graves, na verdade, seriam os ferimentos.




quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Primeiros erros

Diário foi o campeão de erros na primeira edição do ano. Primeiro, não colocou na capa foto do principal réveillon, o do Aterro da Praia de Iracema. A foto, dita como da principal festa, é do Marina Park. Veja aí.
A foto foi republicada na p.13, ilustrando a matéria "Grandes atrações e luxo nos clubes e hotéis".

E, para fazer a legenda da capa, parece que o jornalista não leu a matéria. Na legenda, disse que "quem foi à Praia de Iracema presenciou o maior espetáculo de fogos do Estado".

Ora, se algo falhou na festa foi exatamente o show pirotécnico, como atesta o título abaixo da p.12:

ENIGMA - No texto da manchete, escreveu isto:

O Fecop busca promover transformações estruturais que possibilitem às famílias que estão abaixo da linha de pobreza o atendimento integral.

JUNTO AO - Nesta chamada (ao lado), além de colocar minúscula no Cearense ainda usou inadequadamente a indefectível expressão "junto ao".

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Feliz 2008, o ano do rato