terça-feira, 12 de junho de 2007

Desperdício

A ONG Transparência divulga resultado de uma pesquisa que quantificaria o custo per capita do parlamento. Os dois jornais reproduzem material de agência. Nenhum dos textos é claro o suficiente. A edição deixou a desejar no Diário (ONG denuncia desperdício). A do Povo (Quanto mais pobre, mais caro) se apressou no título.

Argumentou
Em São Paulo, por exemplo, o custo por habitante para manter a Assembléia é de R$ 68,51 por ano, enquanto o roraimense gasta mais de R$ 224 para manter o poder

O texto põe em dúvida a conclusão do título:
No outro extremo ficou Sergipe, onde cada habitante paga R$ 10,63 para manter o órgão

Afinal, quem levou furo?

A coluna Comunicado não foi muito convincente, muito menos polida, ao responder às observações do ombudsman do Povo, publicadas ontem e comentadas neste link: Ombudsman - condutas impróprias.

À coluna:

Casos impróprios
O promotor Jarlan Botelho declarou, na audiência da Comissão de Defesa Social da Assembléia Legislativa, que a imprensa e especificamente o Diário do Nordeste, ao divulgar a existência de testemunha no caso da morte de Valter Portela, foi um fator relevante para a morte de Ana Bruna. Opinião imprópria: o promotor sabia da existência da testemunha e, como promotor da Vara da Infância e Adolescência em Maracanaú, ele próprio deveria ter pedido proteção para a menor. E não o fez, mesmo depois da publicação: a morte de Ana Bruna ocorreu três dias depois! Já o ombudsman do jornal ´O Povo´ considerou ´procedimento impróprio´ do Diário do Nordeste não verificar ´a oportunidade de publicação´(?) da matéria. Opinião imprópria. As autoridades, como o próprio promotor, já sabiam da existência da testemunha. ´O Povo´, no caso, foi ´furado´ porque não sabia. Querer o ombudsman justificar o furo com uma acusação é que é procedimento impróprio.

A coluna tentou desqualificar a acusação de procedimento impróprio feita pelo ombudsman do Povo em relação ao Diário. Seria para justificar um furo.

Furo mesmo quem levou foi a testemunha: três. Três dias depois de sua identidade ter sido "revelada" em matéria do Diário. O Ministério Público disse que isso foi fator determinante para a execução. Portanto, a discussão é procedente. Revelar detalhes identificadores aos criminosos foi determinante, como disse o MP, ou não? A matéria colocou em risco a vida ou não? O jornal errou ou não em publicar? Foi só para dar furo? Foi só por medo de levar furo?

Digamos que o comentário feito pelo ombudsman do Povo tenha sido feito por um leitor do Diário? Qual seria a resposta? E se O Povo dissesse que sabia da existência da testemunha (como é provável) e "segurado" a informação para preservar a garota?

A troca de acusações não isenta o jornal nem o Estado quanto a suas responsabilidades em resguardar a testemunha para evitar o que aconteceu.

Tudo começou no dia 5 de junho, quando O Povo publicou esta frase de Jarlan Botelho:
a divulgação na imprensa da existência de uma testemunha chave foi determinante para a execução de Ana Bruna.

Neste dia comentei a acusação neste link: Denúncia grave

Sobre isso, o Diário não trouxe nada, confira aqui Delegado e promotor trocam acusações na AL

Quer dizer, desde o dia 5, só hoje o jornal fala sobre a acusação, só depois que o ombudsman comentou.
O jornal resolveu centrar fogo no promotor, por não ter dado proteção à testemunha. E acrescentou: E não o fez, mesmo depois da publicação.

Esta frase - mesmo depois da publicação - revela que o tema merece reflexão, com calma. O jornal não se defende da acusação de conduta imprópria, lança outras acusações. Contra a omissão do Estado e a dor-de-cotovelo do concorrente.

Outra observação. O estilo da escrita de hoje, pelo menos a deste tópico, está meio canhestro, o que não é usual. Só pra verificar:
que a imprensa e especificamente o Diário do Nordeste, ao divulgar a existência de testemunha no caso da morte de Valter Portela, foi um fator relevante para a morte de Ana Bruna.

O profeta

Conforme o blog previu com exclusividade (hehe), Autocrítica do Diário desconheceu os erros apontados ontem neste link: Fora de tempo.

É só para confirmar: jornalista tem uma dificuldade enorme de reconhecer seus próprios erros.

segunda-feira, 11 de junho de 2007

Sem inverno

O Diário traz hoje um balanço das chuvas na matéria Funceme registra queda de 12% em chuvas no Estado.

Em toda a matéria, não há uma só citação da palavra inverno. É quadra chuvosa pra cá, quadra chuvosa pra lá:
Funceme divulgou os dados da quadra chuvosa da estação neste ano

Qual estação? O inverno acabou. Daqui a pouco, também vão desprezar a chuva, só vai se falar em precipitação. E é logo, logo. Veja o título da outra matéria da página:

Granja tem maior pluviometria

À cavalo

Uma das peças do projeto do Diário é "a opinião do especialista". É usada para publicar pequenos artigos, uma opinião a respeito do tema tratado na matéria. Hoje, essa peça, assim como a "Autocrítica", também foi "terceirizada" na p.14, dentro da matéria Pistolagem urbana cresce. Não há um artigo do delegado Francisco Crisóstomo, mas uma entrevista com ele.

Dentro da "opinião" há a seguinte expressão:

O pistoleiro de antigamente botava um capuz no rosto e saía à cavalo,

Essa crase quer dizer à moda. Fico imaginando como o pistoleiro costumava escapar: de quatro, relinchando...

Na matéria, fala-se de Ana Bruna, aquela testemunha assassinada:

Sabia demais
Ana Bruna, conforme as autoridades, morreu por ‘saber demais’. Havia denunciado à Polícia e ao MP a identidade de policiais envolvidos em vários crimes de ‘encomenda’ motivados por queima-de-arquivo e acerto de contas, dentro os quais, o que vitimou seu próprio companheiro, o ex- PM Ademir Mendes de Paula, o ‘Fusqueta’. Da revelação feita pela garota até sua morte foram apenas cinco dias. O crime está sendo objeto de uma tumultuada e complexa investigação.

O repórter poderia ter terminado seu texto também assim:
Da revelação feita pelo Diário sobre a identidade da testemunha até a morte da garota foram apenas três dias.

Fora de tempo

Lustosa da Costa (Diário) publicou hoje em sua coluna:

Mauro Benevides anunciava, ontem, ao meio-dia, estar saindo da Câmara, para tomar o avião a fim de votar, hoje, no Ginásio Paulo Sarasate, na eleição dos candidatos da OAB à próxima vaga de desembargador.

Obviamente a data está errada:Mauro Benevides estaria domingo na Câmara?
Alguém saberia dizer de quando é essa notícia?
Será que a Autocrítica vai deixar passar mais essa, ou só publica se algum leitor apontar a falha?

Mais uma que a Autocrítica deve desconhecer está na p.4 do Caderno 3:
Estréia hoje na Globo, após o programa Casseta & Planeta, a macrossérie "A Pedra do Reino"...
Ou põe aspas também no Casseta ou retira de A Pedra do Reino. E sabemos que é minissérie, como a Globo todo dia anuncia.

Referendo - matéria atrasada e incompleta

Todos os jornais trazem a notícia de que a Justiça barrou o referendo, só o Diário não chamou na capa:

O Povo
Juiz tira efeito de decisão da Câmara

Diário
Justiça suspende efeito de decreto

Estado
Justiça suspende referendo sobre construção de prédio

Os dois maiores jornais terminam a matéria dizendo que não conseguiram falar com Tin Gomes (Diário e Povo) nem com Sérgio Novais (O Povo), "até o fim desta edição".

Detalhe: a decisão judicial é de sexta-feira. Além de atrasada, a notícia ainda veio incompleta.

Comida de Lúcio

Apesar da linguagem cifrada, ouso achar que está errado o tópico CORRIDA DE NOVIÇA, na coluna Reportagem (sic) de Lúcio Brasileiro (O Povo):

Corrida de noviça das Missionárias era ruim e fria pois Virgílio ficava conversando no gabinete e tínhamos de esperar.

Deve ser mesmo "comida", tendo em vista a nota seguinte:

Mas eu não estava atrás de alimentar paladar mas coluna e obtive bons furos alguns passados pelo próprio VT.

Erro publicitário

Três erros gramaticais na propaganda do Farias Brito, publicada domingo nos jornais:

Farias Brito é o Preferido dos Cearenses de Ponta-a-Ponta.
Ortografia: a expressão, neste caso, não comporta hífen.

...uma públicação do jornal O Povo
Acentuação (há um só acento, oxítona).

...no quesito colégio e curso pré-vestibular.
Concordância: deveria ser "nos quesitos".

Embaixo, o slogan ri de tudo isso:
Lições para toda a vida.

Mundo errado

Três erros captados nas páginas 28 e 29 (Mundo) de O Povo:

P.28:
Beneficiente
Essa palavra não existe, mas beneficente

P.29:
contigente
Também não existe, mas contingente

MEIO-AMBIENTE
Não existe o hífen

domingo, 10 de junho de 2007

Ombudsman - condutas impróprias

Toda a coluna do ombudsman foi dedicada ao tema tratado aqui em dois posts:
Ah, essa mania de exclusividade
Denúncia grave

Merecia mesmo o destaque, embora o fato diga respeito ao concorrente. O assunto é de interesse geral. O Diário do Nordeste é responsabilizado pela morte da testemunha Ana Bruna. Quem diz é o Ministério Público. O jornal divulgou que havia uma pessoa entregando todo o mundo do suposto grupo de extermínio, que envolveria policiais. Essa testemunha, divulgou o Diário, era a namorada de Ademir, já assassinado. Três dias depois (e não quatro como disse o ombudsman) da revelação publicada no dia 10 de abril, Ana Bruna, sem proteção do Estado, foi executada no dia 13.

Lamentavelmente, o nome do Diário do Nordeste foi grafado parcialmente na coluna, três vezes. Esses erros só são vistos na versão impressa. É chamado de jornal do Nordeste. Aliás uma frase que está na impressa foi excluída na eletrônica:
"de um somatório de fatores, sendo um destes, quiçá o mais relevante, a divulgação em órgão especifico da imprensa, no dia 10 de abril, da existência da testemunha e sua condição de ex-companheira do pistoleiro, colocando em risco sua vida". O "órgão específico da imprensa", no caso, é o jornal do Nordeste, conforme citou o próprio promotor na audiência da Comissão de Defesa Social da Assembléia

Todo esse trecho em negrito acima não consta da versão eletrônica.

Leia a coluna clicando aqui.

Contramão

Obviamente, o jornalista Luiz Henrique Campos quis dizer "posar" (às vezes o computador "corrige") e não como saiu publicado no artigo "Mão dupla":
Agora achar que Chávez seria ameno nas repostas é querer pousar de vítima ou ser ingênuo demais.

Uma farra

A coluna VALE-TUDO veio com pelo menos sete erro gramaticais. O corretor ortográfico já ajuda.

SEXO

Esse foi o subtítulo desta chamada:
Namorar é bom e faz bem à saúde

A ênfase da matéria é estar apaixonado, namorar. O Povo apelou pro sexo

Outra na capa foi a omissão de texto na chamada "O centenário de Caio Prado Júnior":
...pesquisadores e se debruçam sobre o historiador...

Valeu, Paola

Um oásis. Na p.12 do Diário. O texto de Paola Vasconcelos foge das indefectíveis iniciais maiúsculas em frases que são reduzidas a siglas:
Os veículos novos e usados movidos a gás natural veicular (GNV).

Na quase unanimidade, os textos vêm "gritando" assim: Gás Natural Veicular (GNV). Valeu, Paola Vasconcelos.

Quando nada

Do nada, reaparece a expressão “quando nada”, favorita da coluna Edilmar Norões. Ela havia desaparecido desde o dia que apontamos três citações no mesmo dia (Natação). A de hoje foi:
Quando nada, é o que se pode sentir na medida em que a frota de automóveis para atender ao Ronda do Quarteirão

Valeu boi?

Seqüestraram a vírgula na capa do Diário: Valeu boi. Devem ter usado para laço. Ela está corretamente colocada na capa do caderno Regional: Valeu, boi! .

sábado, 9 de junho de 2007

Diplomacia das aspas

Um belo exemplo do uso de aspas em uma só palavra está no blog do Josias:
Lula considera 'democrático' fechamento da RCTV

Não só vale para dizer que a palavra é literal como o "democrático" aí é mesmo tortuoso, como demonstra a entrevista, um Lula cheio de pernas com medo de provocar a ira de Chávez, com "coisas verbais". É gostoso de ler. Clique no link acima.

sexta-feira, 8 de junho de 2007

Festa muda rotina

Na capa do Diário:
Em Mossoró, a rotina da cidade vira espetáculo.


Achei curioso a rotina virar espetáculo e fui atrás. O autor da chamada da capa fez uma "transliteração" do texto do caderno de Turismo. O texto matou minha curiosidade, não tem nada de rotina virar espetáculo:
A cidade muda a sua rotina e se transforma no palco do grande espetáculo Chuva de Bala no País de Mossoró

Totalmente destruído

Deve dar perda total no seguro do Corolla que bateu em alguns carros e provocou a morte de um aposentado. Dois trechos da p.15 não deixam dúvida, ficou só o meio do carro:
...um Corolla preto, de placas HWO-6215, que teve a traseira totalmente destruída.
O Corolla com as duas mulheres teve a frente totalmente destruída

Vai ver que é por isso o título: Múltipla colisão

E abertura da matéria fala em cinco veículos, o texto cita apenas quatro: Gol (HXQ-3105), Escort (HTZ-6270), Corolla (HWO-6215) e Parati (MMT-7078).

Plástica nas dobras

Este título da p.8 do Diário está ótimo:
Dobra procura por plásticas

Quem tem dobras (pregas) precisa de plástica, lipoaspiração. Perfeito, então, o título.
O da segunda matéria é que contém palavra estranha:
Cuidados antes do procedimento

Atrasadinho

A coluna de Edilmar Norões trata ainda da defesa que a deputada Rachel Marques faz da Petrobrás (Gabrielli) e do esforço do PT para se dizer a favor da siderúrgica. Assunto de terça-feira.

Avestruz na cabeça

Na capa do Diário, a chamada “Estado volta a apostar em avestruz”:
Embora o Ceará tenha, na memória, experiências sem sucesso na criação de avestruz, o governo estadual vai incentivar produtores familiares a apostar no ramo.

E reforça no abre da matéria, no Regional:
Mesmo com experiências malsucedidas na criação de avestruz, o governo do Estado decide investir no setor.

Na minha memória, não há experiências sem sucesso, apenas a da Avestruz Master. Alguém se lembra de outra?

O sol ajudou

O Povo chamou na capa: Praia do Futuro lotada no feriadão.
Título da p.7: Dia de sol no feriado lota a Praia do Futuro

O texto da capa diz:
O sol ajudou e a Praia do Futuro ficou lotada.

Até parece que estamos no inverno, chovendo todo dia, até que o sol abriu. Oba, fomos todos à praia.

Senador demais

Hoje a Vertical (O Povo) cometeu o que não é de seu costume, um pequeno deslize, que a Comunicado (Diário) há muito já não comete. Está no primeiro tópico:
... relatora do projeto na Câmara Federal

O Congresso Nacional contém o Senado Federal e a Câmara dos Deputados, também chamados de câmara baixa e câmara alta, no congresso bicameral. Às vezes se confunde com o nome do Senado que é Federal, às vezes para se contrapor às câmaras municipais. Por isso vemos tanto Câmara Federal. Este federal, se usado, deve vir em minúscula, um mero adjetivo, não o nome da instituição.

O Senado é federal por representar cada ente federativo. Enquanto o número de deputado está de acordo com a população de cada estado, a quantidade de senadores é a mesma para cada um. Por isso se diz “Inácio Arruda, senador pelo Ceará”. Não posso dizer: “Sarney senador do Amapá”, mas “pelo Amapá”. Isto é, o Maranhão tem senador demais.

Nem depois

Um dia depois de comentarmos aqui, foi a vez do Povo contribuir com exemplo de repetição do após e rejeição do depois. Numa só frase. Está na p.2:
Policial militar aposentado foi preso em flagrante após matar o vizinho com dois tiros após uma discussão.

quinta-feira, 7 de junho de 2007

Minúsculas, por favor

Na p.5 do Povo, na matéria Dia para celebrar Corpus Christi, frei [Galvão] e papa [Bento XVI] ora são grafados com inicial minúscula (como deve ser), ora com maiúscula. É uma no santo, outra no...

Na mesma matéria, o "2 min" repetiu informação do [+] ATIVIDADES

Se decide

Na capa do Povo, no texto da chamada "Conselho pede a expulsão de capitão da PM":
O Conselho de Justificação da PM decidiu pela expulsão do capitão...
Acho que, aí, o verbo é pronominal: "...se decidiu pela" ou "decidiu-se pela"

Após, após. E depois?

Parece que a palavra "depois" também entrou no índice da novilíngua jornalística. Só se vê o pomposo "após". E agora? Até numa nota curta, repete o "após" em três linhas mas não se rende ao depois. Como nesta nota no cabeçalho da p.5 do Diário (só na versão impressa):

Após 6 dias internada, Elza Soares, 70, recebeu alta ontem após se submeter a uma cirurgia no intestino, no Rio de Janeiro.

Iniciante

Esta é da p.5 do Diário. E logo no início:
A iniciativa de dar início...

Cifrado

Está no cabeçalho da p.3 do Diário:
O senador Inácio Arruda (PC do B) está reclamando encaminhamento das propostas da reforma política no Senado Federal
Reclamando do quê?

De mais ou de menos

Está na capa do Diário:
Baseado na obra de Ariano Suassuna, estréia no próximo dia 12, "A Pedra do Reino"
Há vírgula de mais ou de menos?

83% de impostos nos presentes

Calma, é apenas em um presente, o casaco de pele. Na capa do Diário:
Imposto chega a 83% no preço dos presentes

A chave

Sob o título "Tonterias", Mirian Leitão (Diário) clareia a relação de Chávez com a imprensa e dá uma cutelada em Marco Aurélio Garcia.
Corra para ler. Clique aqui. Depois volte.

quarta-feira, 6 de junho de 2007

Ah, essa mania de exclusividade

Sobre a denúncia grave do Ministério Público, que acusa a imprensa pela morte da testemunha Ana Bruna, conforme o post abaixo, fui pesquisar.

Pelo que vi, a matéria que revelou a existência da testemunha foi publicada no Diário, no dia 10 de abril, sob o título (clique no link para ler a matéria completa):
Elucidada pistolagem contra um comerciante

O texto identifica a testemunha:
O depoimento de uma mulher, que convivia há quatro anos com o ex-soldado da Polícia Militar Ademir Mendes de Paula, 35 anos, morto com oito tiros no último domingo, foi determinante na elucidação da pistolagem do comerciante. “Foi o Ademir quem matou o Valter Portela e, por este crime, recebeu a quantia de R$ 10 mil”, contou a jovem (não identificada por questão de segurança). Ademir era envolvido em crimes de extorsão, assalto e, de acordo com a garota, “matou muita gente por aí”.

O texto não diz o nome da jovem, "não identificada por questão de segurança". A repórter esqueceu que, ao dizer que a mulher "convivia há quatro anos com o ex-soldado", já a identificou para os assassinos. Para o leitor em geral, a identidade foi preservada, não para os que estavam interessados no silêncio dela.

No dia 16, três dias depois da morte de Ana Bruna, a repórter tenta dar esclarecimentos, na matétia que tem o título Grupo de extermínio na PM foi denunciado pela jovem morta

Eis o trecho:
Quatro dias antes de morrer, ela deu uma entrevista exclusiva ao Diário do Nordeste, falando sobre o envolvimento do companheiro - o ex-soldado da Polícia Militar, Ademir Mendes de Paula - também assassinado recentemente - em um grupo de matadores, do qual também fazem parte pelo menos mais dois policiais militares que estão na ativa.

Na divulgação da entrevista, o Diário optou por não revelar detalhes do que a garota havia contado, envolvendo os PMs, para que não houvesse represália. Em matéria veiculada no dia seguinte, constava apenas o desabafo da adolescente falando sobre a participação do companheiro em crimes de pistolagem (como o que vitimou o comerciante Valter Portela, em 1° de março deste ano).

Lamentavelmente, não parece ser verdadeira a frase "o Diário optou por não revelar detalhe". Segundo o texto, "para que não houvesse represália". A realidade desmente o texto. O Diário revelou a identidade da testemunha, de apenas 17 anos. E disse que ela sabia tudo sobre o crime, a ponto de elucidar todos os crimes daquela rede de pistolagem. E a represália veio em seguida, da pior forma.

É um caso que merece reflexão, é uma questão ética, uma questão de vida.

É possível que o Ministério Público tenha razão. Também pesa sobre a imprensa a culpa pela morte de Ana Bruna, da mesma forma que pesa sobre as autoridades que não foram competentes para defendê-la dos bandidos. Nem de jornalistas.

terça-feira, 5 de junho de 2007

Denúncia grave

A imprensa também é culpada pela morte de Ana Bruna. Segundo o promotor Jarlan Botelho.

Foi publicado hoje na p.8 do Povo:
a divulgação na imprensa da existência de uma testemunha chave foi determinante para a execução de Ana Bruna.

Se eu entendi, a divulgação (irresponsável?) de que haveria uma testemunha disposta a falar, num inquérito que apura crimes de pistolagem, antes que ela entrasse num programa de proteção, foi fatal para Ana Bruna.

Os jornais, que resguardam nome de vítimas (de seqüestro, principalmente), agiram de forma imprudente, se estiver correta a grave acusação do promotor. Na certa, uma corrida pela exclusividade. Válida, a princípio. Mas tem limite, o risco de vida. Você também acha que a imprensa é culpada, ou cumpriu sua função de informar?

PT cheio de notas

Toda hora vejo uma nota diferente do PT nos jornais dos últimos dias. Primeiro teve uma nota de desagravo a Sérgio Gabrielli. Mostrou-se um desastre, tanto que teve que soltar uma segunda.

No dia anterior, a deputada Rachel Marques sentiu a necessidade de explicar que apóia a siderúrgica. Mas acrescentou, precisamos debater que modelo queremos.
Aí veio a segunda e minúscula nota do PT – o partido precisou dizer que apóia o projeto da siderúrgica. Do jeito que está posto.

Na TV, o deputado Nelson Martins dá a deixa das desavenças. Esta é a posição do partido, se houver outro tipo de manifestação será opinião pessoal, não do partido.

Cansado das notas paroquianas, vejo a nota do PT de apoio ao autoritarismo de Chávez na destruição da RCTV, que lhe fazia oposição. A Globo que se cuide.

Sem acento


Ceará tá igual a Petrobrás

Título do Povo (p.23) tira o acento de Ceará: Governo ainda tem US$ 104 milhões para Ceara Steel

Abaixo, ilustrando a matéria, placa indicando o local grafa corretamente Ceará.

Plantada na redação

45 árvores são declaradas imunes ao corte na cidade, diz a p.6 do Povo. Legal, né?
Se avexe na alegria não. O Diário (p.12) diz que Prefeitura adia assinatura de decreto.

A matéria do Povo foi escrita “da redação” e deu como fato consumado, diz que a secretária Daniela Valente (Seman) “anunciou em solenidade realizada no final da tarde de ontem o decreto assinado pela prefeita Luizianne Lins.

No final da tarde de ontem estava repórter do Diário no Passeio Público, onde seria assinado o decreto. A prefeita deu o cano. Desabafo de repórter: o ato marcado para ontem foi transferido para o seu gabinete – em data a ser definida – depois de espera de mais de uma hora por parte da população e autoridades presentes.

Nem errando

Abaixo da manchete “Justiça mantém barracas na Praia do Futuro”, o texto do Povo começa assim:
A três dias do feriado de Corpus Christi, o presidente do STJ confirmou...

O que é que esse "A três dias do feriado de Corpus Christi" faz aí? Não mudou nada. Se fosse o contrário, aí sim. O leitor seria alertado de que as barracas poderiam não estar mais lá no feriado. E se mandaria para o Beach Park.

No “erramos” de hoje O Povo erra, escreve Petrobas. Esqueceram o “r”, queria um dia ver esquecer de desobedecer a gramática e escrever Petrobrás.