sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Greve para

Quando vi o título da matéria Greve para servidor deve ganhar nova lei (p.6 do Diário), achei que faltava um acento no verbo parar. Mas não, era uma preposição. Já ouvi "greve para conseguir algo". Do jeito que está no título, muito estranho.



SEGUIMENTO - Confusão no texto da matéria Alunos da Uece avaliam perdas (p.10 do Diário). Primeiro, trocou seguimento por segmento. Logo em seguida, disse que a comunidade estava dipostos e esperançosos.

Intervenção

Um leitor interveio:

"Em chamada de capa na edição de hoje (15/02) de O Povo, sob o título "Luizianne intervém para segurar o bloco", o autor do texto diz que a "Prefeita... interviu para evitar que o PT deixasse o bloco...".
É bom mesmo que a prefeita faça isso, se quer mesmo manter os gandaieiros de sua turma.
Mais urgente, porém, parece-me uma intervenção nos mecanismos de revisão do jornal"

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

No coco da Marta

Momento relax da ministra Marta Suplicy ao gozar as delícias de uma água-de-coco. Foto do dia, de Wellington Macedo, na capa do caderno Negócios (Diário).

Informação em greve

Na matéria Termina greve de professores da Uece (p.8 do Diário), a repórter disse isto:

Os grevistas da Urca e da UVA realizarão assembléias deliberativas próprias para decidir a continuidade do movimento ou não ainda esta semana.

A UVA suspendeu a greve faz mais de duas semanas.

Mapa das multas


Matéria da p.8 do Povo (O mapa das multas de Fortaleza) mostra os pontos de trânsito mais lucrativos para a Prefeitura. Dois deles são verdadeiras armadilhas contra motoristas, na Via Expressa. Os dois são localizados em trechos após descida de viaduto, sem cruzamento de rua ou passagem de pedestres. Um é na descida do viaduto sobre a Antônio Sales. O outro, na descida do viaduto sobre a rua que vai da Pontes Vieira para a Rua dos Manguezais.

Erro garrafal

Esses jornalistas! Não dominam nem a língua pátria e querem brincar com a dos outros. Deu nisto, na manchete do Vida & Arte (O Povo), ao grafar em francês uma palavra (monsieu) inexistente no idioma de Dumas.

Questão de opinião

Pensamento capenga nos três artigos que compõem a página de opinião do Povo de hoje. A começar pelo do jornalista, cujo título é "E se dependêssemos do Congresso?". A coisa mais fácil é bater no Congresso, aliás uma estratégia do Executivo. Mas poderia, ao menos, argumentar melhor.

Inconformada, a oposição se sente atingida por não ser normal na Casa uma investigação solicitada pela situação, como se tudo ali não tivesse o cunho político.
Em vista desse impasse a oposição ameaça obstruir os trabalhos por tempo indeterminado aumentando o desgaste do poder legislativo.

Ou é muita ingenuidade do jornalista ou militância política. Ora, uma das funções básicas do Legislativo é fiscalizar o Executivo, que tem manobrado para evitar que isso aconteça, tomando a iniciativa de propor a CPI, depois que ela foi cogitada pela oposição. O que o Executivo quer é controlar a CPI ficando com os dois cargos mais importantes, a presidência e a relatoria, para que nada se investigue. Aí, sim, desgasta o Legislativo. O que faz a oposição? O que há de legítimo, obstrui as votações para fazer o governo recuar. O repórter acha mesmo que isso é paralisar o Congresso?

O segundo artigo, sob o título "Roubocracia", diz a que veio logo no primeiro parágrafo:

A coisa mais idiota que você pode fazer é pegar uma pedra de calçamento, jogá-la para cima e ficar debaixo dela, esperando que ela caia na sua cabeça. Aliás o mundo agradeceria: com sua morte, diminuiria o número de cidadãos inúteis na sociedade.
Gente, que coisa mais besta!

O terceiro, fala "Do fracasso da obviedade", assinado por Acrísio Sena. A despeito de fazer apologia da prefeita de Fortaleza, o mote do artigo explica as infelizes declarações sobre a queda da arquibancada do pobre carnaval de Fortaleza. A reposta óbvia é que a culpa é da Prefeitura, responsável pelo evento e pela contratação das empresas que o realizaram. Como a obviedade é coisa do passado, apela-se para o novo: a culpa é da oposição.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Bicho muido doido

Comentário de um leitor:

"No O Povo de hoje pág. 4 - está um artigo sob o título "De volta à barbárie", tendo como autor o advogado Leandro Vasques.
O dito cujo defende algumas teses estranhíssimas: como por exemplo, a que a divulgação da violência contribui para aumentar a dita cuja; sugere a censura da programação de televisão sob o singelo nome de "filtro"; e, por fim, propõe a legalização do tráfico de drogas. De todas.

Sei não, mas acho que esse moço deve se abster do chá de zabumba antes de produzir seus escritos destinados ao distinto público."

Tirando o chá de zabumba, que a lombra pode ter várias causas - até mesmo a divulgação de notícias sangrentas -, é bom lembrar que na era da barbárie não havia a mídia.

Para ler o artigo, clique aqui: De volta à barbárie

Deslizando na rotatória

O Povo traz na p.3 mais uma curiosidade da Aguanambi. Depois do sinal no viaduto, agora na rotatória. Lá pelas tantas, tem esta citação do presidente da AMC:

"Por enquanto o semáforo sobre o viaduto da avenida 13 de Maio continuará existindo..."


MENOS - a seção EMAIS trouxe também curiosidades.

Pela rotatória circulam 3.500 veículos nos horários de pico, aproximadamente um veículo por segundo.
Deve ter motorista tonto por aí.

A AMC registrou 139 acidentes de trânsito na rotatória, número 14% maior que o registrado, com 122 acidentes.
Algum elemento do texto deve ter se perdido nas voltas.

FALAR DIFÍCIL - sobre o mesmo assunto, na p.8 do Diário, o repórter mandou esta:

A respeito da inusitabilidade da colocação de semáforos em rotatórias...
É um neologismo que seguiria os padrões da língua se existisse o advérbio "inusitável". Como só há o adjetivo "inusitado", o texto, além de pedante, está errado.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Ombudsman pró-aborto


O ombudsman do Povo criticou o fato de o jornal entrar “no ritmo da ofensiva contra o aborto”. E passou a atacar os argumentos de quem falou contra o aborto: a coluna Concidadania e um artigo da jornalista Regina Ribeiro.

Ora, é muito cômodo para um homem dizer que uma mulher estuprada tem o dever moral de parir o filho do estuprador, mas imaginem o sofrimento da vítima de agressão sexual.
O autor não disse que a mulher tem de parir o filho do estuprador, pois o filho é também dela. O filho deve ser julgado pelos crimes dos pais? Essa fase da humanidade não já estaria superada? E se o autor da coluna fosse mulher, mudaria a argumentação? O que autor disse é que, do ponto de vista moral, é dever parir o filho. Por quê? Porque abortar seria matar uma vida. Se a mulher foi vítima, a condenação fatal não pode ser para o filho.

Ela deve ser condenada a carregar no ventre, durante nove meses, com todos os incômodos e complicações de uma gravidez, uma criança gerada por ato de violência (o mais torpe dos crimes)?
Aqui o ombudsman deixa transparecer sua hierarquia de valores. A violência sexual seria o mais torpe dos crimes, ou o mais torpe dos crimes é aquele praticado contra a vida?

O aborto ocasionado por estupro é permitido pela atual legislação brasileira. Querem proibi-lo? Aborto não ocasiona estupro. A gravidez ocasionada por estupro é que tem respaldo legal para ser interrompida. E o autor não falou em proibição, falou em dever moral.
Uns têm, outros não.

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Vale dos erros

A coluna Vale-Tudo está uma coleção de erros: acentuação, regência verbal, pontuação, ortografia, digitação e até de informação. Difícil um tópico sem erro.


MOBILIA DOMÉSTICA - deixou de colocar acento em mobília e colocou em oba; escreveu "não sabe o que lhe espera". O correto é "não sabe o que o espera".

SACI PERERÊ - esqueceu do hífen em saci-pererê; não tem vírgula entre sujeito e predicado (Luizianne Lins, gritou); digitação: saracoetava; acentuação: caísse.

GALO CAMPINA - o nome é galo-de-campina; acentuação: líder; informação: o PT não tem líder na Assembléia.

HERÓDES - onde foi arranjar esse acento?

ALÉM-FRONTEIRAS - colocou hífen onde não havia (cirgurgião plástico) e o omitiu onde necessário (cabeça-chata).

Ufa!!!

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Pobre carnaval de Fortaleza


Foto do dia, de Miguel Portela, no Diário, registra as condições de suporte da arquibancada do carnaval dos pobres, na Domingos Olímpio. Na festa dos ricos, o réveillon da Praia de Iracema, a estrutura era bem diferente. Se houve sabotagem lá, foi na queima de fogos, um fiasco.

A foto flagrou as condições no dia 4 de fevereiro. Pronto, o sabotador foi o fotógrafo.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Charge do dia, de 2005

O Diário deu um repeteco na Charge do Dia. Talvez pensando que continua fácil enrolar o leitor, republicou uma charge de três anos atrás. Quem descobriu a marmota foi o antenado Nonato Albuquerque, no Antena Paranóica. De quem foi a iniciativa do bis, do autor ou do editor?



Leitor apontou mais erros da edição de hoje, ainda não tive tempo de conferir.
ATUALIZAÇÃO -era só um errinho de concordância na capa do caderno Carnaval, na chamada "Bonecos gigantes na folia":
A beleza das alegorias impressionaram os brincantes.

PORCARIA - e uma cacofonia, talvez porque os foliões fizeram muita sujeira, na p.2 do caderno:
chamou a atenção de quase 10 mil pessoas por cada dia de apresentação.

Além da queda, o coice

A Prefeitura não soube agir no episódio do desabamento da arquibancada do carnaval. Sem a presença da chefe, que sambava em locais bem mais seguros, o chefe da guarda municipal se apressou. No calor do tumulto, pisoteou um pouco mais as vítimas do acidente. Chutou: sabotagem, culpa dos opositores políticos. A prefeita aprovou o enredo.





DESMERECIMENTO - a queda da arquibancada não mereceu nenhuma alusão na capa do Diário (caderno), nem foi destaque na cobertura. Desmereceu seus leitores. Por causa disso e doutras coisas, O Carnaval do Povo foi muito melhor. A impressão, um porém, tirou o briho da foto da capa.


APESAR DISSO... - a chamada da capa do jornal O Povo é desmentida pela matéria da p.3:




Mas, enquanto faltou mesa nas barracas mais badaladas da Praia do Futuro, sobrou por lá (Sabiaguaba). "Hoje está fraco, mas amanhã (segunda-feira) melhora", torcia a proprietária de uma barraca, Maria da Paz.





QUE CRIATIVIDADE - na p.5, o jornal começou com uma idéia no texto desmentida logo no segundo parágrafo da matéria Morro Branco da galera:
Gente jovem, bonita e com criatividade nas fantasias. Tinha Mulher Maravilha, Zorro, Batman, Mulher Gato.


TROCA DE HÍFEN - enquanto o "desce" da p.6 tacou um hífen em fogo cruzado, a coluna Vertical os desprezou no título da água-de-coco.


NO INFINITO - ainda na p.6, a conjugação do verbo dar foi parar no infinitivo, com destaque visual na página.








PARA SE LER - um conto de fada no Carnaval, bom texto de Ana Mary C. Cavalcante, a crônica Era uma vez..., na p13.



Foto: Sebastião Bisneto

domingo, 3 de fevereiro de 2008

Quente x frio

A temperatura da capa do Povo muito baixa, uma geladeira. Ao contrário da do Diário, que veio com segundo clichê. O Povo trouxe na foto principal um repórter seu, no papel de rainha do maracatu. A do Diário, pouso forçado de um monomotor na praia do Titanzinho. Além do susto, mais susto. Ladrões deram um limpa no avião.


Por falar em avião, os jornais trouxeram, cada um, uma cantora representante do Axé. Até nisso, o Diário foi mais novo. Enquanto, o Povo trouxe a veterana Daniela Mercury, na esquerda superior, o Diário trouxe o novo talento cearense, boa de voz e de presença, Rafaella Manville, na direita superior.

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Holocausto é de arrepiar

Detalhe do carro alegórico Holocausto, da Viradouros

Eu tenho preconceito em relação aos judeus. Sempre os considerei inteligentes, tendo em vista os já citados luminares: Cristo, Marx, Einstein, Freud. O patrulhamento de alguns, porém, é o antípoda. A tentativa de impedir (até agora com sucesso) a apresentação de um carro alegórico sobre o Holocausto, de uma escola de samba, me parece descabido para um órgão como a Federação Israelita do Rio de Janeiro (Fierj).
[Revista Época: Samba & Holocausto]


O presidente da Fierj, Sérgio Niskier, disse que “não havia qualquer conotação de racismo ou preconceito”, e elogiou por isso o carnavalesco da Viradouro, Paulo Barros. Explica o motivo da ação:

O que havia era a inadequação do tema dentro do enredo.

Parece frase de um julgador do quesito samba-enredo, seria melhor que deixasse isso para os profissionais. Mas continua.

Não víamos como um carro repleto de cadáveres, dentro de um enredo com outras emoções de arrepiar, poderia representar uma denúncia do anti-semitismo, para que este nunca mais aconteça. Julgávamos que a população poderia não entender esta mensagem e que isto banalizaria o maior crime cometido contra a humanidade, aí sim uma situação que não desejamos.

Chama-se isso censura prévia. E poderia ser usado até contra o Guernica (Picasso). Como a pessoa não entendeu a mensagem proposta pelo artista, a massa não-pensante também seria estimulada a banalizar um dos maiores crimes contra a humanidade. Portanto, proíba-se.

Toda vez que um órgão como a Federação Israelita age dessa forma, trabalha contra um dos grandes esforços dos próprios judeus, e mais um presente para a civilização: a demonstração de que o Holocausto foi um crime perpetrado contra toda a humanidade, os judeus as maiores vítimas. É o monumento à intolerância. Não mais!

O judiciário, representado pela juíza Kalichsztein, favoreceu à Fierj. A liberdade de expressão é um bom tema para samba-enredo.

Concidadania

A coluna Concidadania (O Povo) está imperdível. Para ler, refletir e guardar.

Só transe com seu amor

Em homenagem a uma sugestão do leitor Paulo Brasil para o carnaval.

Zoada

Troca de vogal na Vertical (O Povo):

Daily do Nordeste

Desnecessário uso do inglês na manchete da capa do caderno Negócios (Diário).


sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

A vírgula no sujeito

Um exemplo do texto da capa do Povo da necessidade de se colocar vírgula quando há mudança de sujeito, mesmo com a presença do conectivo E.

A produção das empresas não está conseguindo acompanhar o crescimento do consumo e a pressão inflacionária,

Sem a vírgula, a expressão "pressão inflacionária" faz parte do complemento (objeto direto) do verbo acompanhar. Com a seqüência do texto, percebe-se que é o sujeito da segunda oração. Ficaria assim mais claro:

A produção das empresas não está conseguindo acompanhar o crescimento do consumo, e a pressão inflacionária, que era localizada...

No mesmo texto, o onipresente uso de "por conta" no lugar de "por causa":
Por conta do risco de alta da inflação , o BC...

Vejo bem menos erros nos jornais.

Qual seria a causa?

a) olhar desatento
b) menos tempo de leitura
c) jornais melhorando

Despedida de Matilde - ô desigualdade!

A ministra reconhece os erros, põe a culpa em assessores, se despede do governo e se diz vítima de preconceito racial.

Deveria ter sido alertada por subalternos sobre os gastos que poderiam ser feitos. Extrato: gastou muito, e mal.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Delenda Cartaxo

Foto: Marcus Campos
Delenda Cartago era a frase repetida por Catão. Destruam Cartago, cidade rival de Roma. Cartago quer dizer cidade nova. Cartaxo, secretário das Cidades, acabava de ser destruído nas urnas, apeado do poder petista pelo prefeito de Quixadá, Ilário Marques.



Talvez isso explique o motivo da repórter errar o nome de Joaquim Cartaxo, trocando-o por Cartago repetidas vezes na matéria publicada no Povo dia 27 de dezembro: PT busca calma interna para enfrentar 2008.

Conte aí:

"O Cartago é um cara de princípio. Eleição é assim, ganha ou perde. Bola pra frente”, declarou o deputado estadual Dedé Teixeira.

ter apoiado Elatério em detrimento de Cartago possa atrapalhar, internamente, a unidade do PT

Sônia Braga, ex-presidente do PT e aliada de Cartago, defende que a administração municipal

A repórter não estava num dia bom. Também trocou o nome da prefeita mais de uma vez:

em Fortaleza, da prefeita Luciane Lins.

Dedé não acredita que o fato de a Democracia Socialista (DS), da prefeita de Fortaleza Luciane Lins,

“Todas as tendências sabem da importância da reeleição da Luciane.

acreditar que a disputa interna não vá interferir na reeleição de Luciane

Colaboração do leitor Tarcísio Filho

Sobre judiação

Um jornalista me enviou email dando conta de que, apesar da explicação do rabino Henry Sobel, ele continua achando ofensivos aos judeus os termos judiar, judiação. Por isso, volto ao assunto.

Primeiro, quero declarar que não sou judeu, apenas admirador do povo que forneceu os quatro pontos cardeais que dirigem e iluminam nossa civilização: Cristo, Marx, Freud e Einstein.

Convidou-me a ler artigo através de um link e antecipou trecho do artigo em que se tenta desqualificar a autoridade do rabino para opinar sobre o assunto, pois ele não teria muita intimidade com o idioma.

Antes do resumo do artigo em contraponto, republico as palavras do rabino.


"O significado está claro: não há nada de pejorativo. Não fomos nós que maltratamos. Nós, os judeus, fomos maltratados. E cada vez que usamos a palavra 'judiar', estamos conscientizando os outros. O termo não deve ser eliminado. Pelo contrário, é bom que o mundo se lembre do preconceito do passado, para que não o permita no presente e no futuro"


CONTRAPONTO

Samuel Szerman:
“De princípio gostaria de declarar que não sou autoridade em português. Sou apenas um pouco mais curioso e interessado em conhecer o idioma que a média das pessoas. Meu maior interesse no estudo de nossa língua é a semântica.

O articulista se declara, também, sem autoridade em português.

Poucos sabem disso, aí incluindo os próprios judeus, mas judiar significava "maltratar os judeus". Era um verbo intransitivo. O objeto direto estava subentendido. Hoje, judiar, pela semelhança do vocábulo com judeu, judia, Judas e Judá, cria uma natural associação de idéias, considerando o judeu como o agente da crueldade.

Natural associação de idéias é claro exagero. Não creio que se faça a associação. Alguns, como Ferreira Gullar, dizem que remete ao ato de maltratar o Judas no Sábado de Aleluia. Em vez de apenas mais uma etimologia fantasiosa, a explicação do poeta pode se defender. Está muito longe o período em que se maltratavam judeus por questões étnicas ou religiosas. Mais próximo e popular, a malhação. Campo para o estudo da semântica.

O argumento da “associação natural” só se justificaria se houvesse um fenômeno a partir do qual os judeus, de vítima histórica, teriam passado a condição de algoz contemporâneo. Desconheço.

Curiosidade: Tornou-se verbo transitivo indireto. "Judiaram dele". É claro que, se o verbo pede um complemento, na afirmação, está subentendido o agente. A palavra já está tão arraigada no uso popular que há quem nem faça a associação. Entretanto, a ofensa aos judeus permanece. É subliminar. Contribui enormemente para incrementar o anti-semitismo.

Essa última frase foi mais um culto ao exagero. Se o autor é apaixonado por semântica, vai entender a evolução da língua. No início, significava maltratar os judeus. Na evolução, maltratar como se maltratavam os judeus. A partir dessa associação, passou a exigir um complemento. Pois se já não se maltratavam os judeus, o objeto que recebe a ação precisaria ser nominado, já que não estava mais subentendido. Simples, é a dinâmica da língua.

Judiação pede menos explicação. É um derivado gramaticalmente correto de judiar. Gramaticalmente. Politicamente, NÃO!

Essa frase mostra uma contradição fatal para o comentário que vem logo a seguir.

Aqui explico que a discussão sobre o sentido pejorativo ou não dos termos na berlinda não é uma questão doutrinária ou religiosa. É do idioma. É gramatical. Para se obter uma base, não se consulta o rabino, e sim, o professor ou o entendido em português. Por maiores que sejam meu respeito e minha consideração pelo rabino Henry Sobel, lembro que ele, apesar de lisboeta de nascimento, é americano e sua língua materna é o inglês. "

Perceberam? Para desqualificar o rabino, um gramático. Antes, porém, ele afirmara que o termo é gramaticalmente correto. E acrescenta com um grito: Politicamente, NÂO. Se gramaticalmente está correto, precisamos agora de mais alguém para opinar sobre outro aspecto. O gramatical, já não se discute.

O termo judeu não se restringe a uma nacionalidade, a uma religião também. O rabino tem maior autoridade para falar de ofensas a judeus pois abrange as duas dimensões: a nacionalidade e a religião.

Ninguém nem se lembra dessa associação, a patrulha do politicamente correto é que chama a atenção. Daqui a pouco a paranóia vai acusar a patrulha de cometer também um outro tipo de anti-semitismo.

E o debate vem num momento em que o presidente do Irã quer negar a existência do holocausto. É bom lembrar o quanto os judeus sofreram, para evitar que isso se repita. Jamais.


Samuel Szerman, presidente da ACIB - Associação Cultural Israelita de Brasília, é Relações Públicas da Petrobrás aposentado.
O texto completo está aqui. http://www.visaojudaica.com.br/Fevereiro2005/artigos/15.htm

Leia também o post abaixo Ombudsman do Povo

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Mesmo não é pronome


Estranheza na Vertical (O Povo) ao falar de um projeto do vereador Paulo Mindello, para mudar o nome da Av. Beira Mar para Aloísio Lorscheider. Segundo o jornalista, inicialmente, seria a Via Expressa, mas esta já teria uma denominação oficial. Ora, como ele mesmo informou, a Beira Mar também já tem uma denominação oficial (Presidente Kennedy).

E ainda usou o "mesmo" com função de pronome, o que não se deve fazer nem na horizontal.

Porto de Sobral


Todo dia a gente aprende com os jornais. A lição de hoje foi na p.10 do Diário. Aprendi que Sobral, mesmo distante mais de 100 quilômetros do litoral, já teve um porto. Esses sobralenses são insuperáveis.

URVA - O que os sobralenses talvez não gostem é de ver o nome da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) trocado para Universidade Regional Vale do Acaraú, como o Diário fez na p.12, na matéria Professores continuam em greve

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Por aí choveu?

Não me lembro de ter visto chuva, ontem, por onde andei. A previsão do tempo do Povo para o dia era de "nebulosidade variável com chuvas". A mesma previsão daquele dia de raios trovoadas.

domingo, 27 de janeiro de 2008

Como é o nome dele?

A coluna Crítica, do Zoeira (Diário), não gostou mesmo do filme "Eu sou a lenda". Gastou 5.077 caracteres para espinafrar o diretor, o câmera, o roteiro, os atores... Não sei se de propósito, deixou de citar o nome do filme.



Pode ser que eu é que não tenha visto. Se quiser conferir, é só clicar aí 3ª versão beira o fiasco

Ombudsman do Povo

O ombudsman do Povo deu ouvidos às nossas observações sobre inverno. Primeiro, quero me associar ao pensamento do Liberdade digital, sobre o assunto, no post Olho na Mídia: ombudsman de O POVO atento às mudanças do jornalismo:

Sob o título INVERNO, a coluna do ombudsman abordou assim o assunto.
Blog Mirando a Mídia critica O POVO por usar a palavra inverno entre aspas ou seguida de parênteses: (quadra chuvosa ou período chuvoso). Lembra que inverno já está dicionarizado (Aurélio, Houaiss e Caudas Aulete) como regionalismo nordestino para designar a quadra chuvosa e, por isso, acha as aspas desnecessárias.

Ouvido pelo ombudsman, o meteorologista David Ferran, da Funceme, explica: "O inverno, no hemisfério sul, ocorre em junho e julho. Por isso, o mais correto é chamar a época de chuvas no Nordeste de período chuvoso".

Erick Guimarães, editor-chefe-executivo do O POVO, declara que o jornal opta pelas denominações quadra chuvosa ou período chuvoso: "Em respeito à linguagem popular não deixamos de usar inverno, mas acrescentamos a explicação necessária".

FONTE ERRADA - Louvável a disposição do ombudsman para o debate. Só acho que usou a fonte errada para respaldar O Povo. A questão é mais cultural, linguística, e menos climática. Com todo respeito, não precisaríamos ouvir um meteorologista para saber que "o inverno, no hemisfério sul, ocorre em junho e julho."

Sempre soube que o inverno, aqui no Brasil, começa em junho (21) e vai até setembro. Assim, o meteorologista errou até mesmo no seu campo. Vai ver que diminuiu para dois meses a estação para incluir mais uma. Teríamos, então, no Nordeste, cinco estações: verão, inverno, outono, primavera e quadra chuvosa.

Sugiro ampliar o debate para ouvir linguistas e gente ligada à cultura. Um lembrete para o editor-chefe-executivo. O jornal está deixando de usar inverno sim, só aparece na boca dos entrevistados, e vem logo seguido da explicação. Isso, ao contrário do que diz o editor, é desrespeito. Dedique um tempo à leitura das matérias sobre assunto e verá.

JUDIAÇÃO- o ombudsman também deu ouvido à patrulha do politicamente correto, quase sempre equivocada. Disse:
A nota "Judiação" do Canal 1, do caderno Buchicho, de sexta-feira última (25), incorre no anti-semitismo. "Judiação" e "judiar" - no sentido de maltratar - são palavras que ofendem os judeus.

Não é o que pensa o rabino Henry Sobel, em "Os 'porquês' do Judaísmo" (Congregação Israelita Paulista. São Paulo, 1983):

“O significado está claro: não há nada de pejorativo. Não fomos nós que maltratamos. Nós, os judeus, fomos maltratados. E cada vez que usamos a palavra ‘judiar’, estamos conscientizando os outros. O termo não deve ser eliminado. Pelo contrário, é bom que o mundo se lembre do preconceito do passado, para que não o permita no presente e no futuro”

Judiar tem a ver com judeu, é verdade. Mas quer dizer maltratar, como se maltratavam os judeus. Concordo com o rabino. Em vez de anti-semitismo, homenagem. Além do mais, ninguém liga o termo à sua etimologia. Outro problema: como cantaríamos Asa Branca, hino nordestino, neste trecho:


Quando olhei a terra ardendo/qual fogueira de São João/eu perguntei a Deus do céu/por que tamanha judiação?

Vagamente ociosa

Texto da manchete de capa do Povo disse que vagas de trabalho ociosas.
Se a vaga é ocupada, já não é vaga.

Fez-se um dique na p.14.

Falta se redimir na p.16.

Leitor ilustre: Nonato Albuquerque

Entre meus poucos leitores, a alegria de contar com o autor do antenado blog Antena Paranóica, jornalista Nonato Albuquerque.

sábado, 26 de janeiro de 2008

Protesto a favor


Ontem, o Diário errou na proposição (veja post Que preposição! ). Hoje, o Povo errou de preposição na p. 9.

Quem deu o título queria, obviamente, dizer protesto contra corte de árvores. Como não havia espaço, trocou de preposição e disse o contrário. Como se os protestantes clamassem pelo corte.

Assim abona o Aurélio.


Oficina política


Boa iniciativa da coluna Política (O Povo) de tentar aportuguesar os termos em inglês que infestam textos e falas de publicitários e consultores. A coluna começou assim:
Ontem, convenção regional do DEM. Anteontem, uma oficina de trabalho (o DEM preferiu usar workshop) do partido.

A tradução não foi fiel ao sentido da palavra. No original, workshop tem duas acepções. A primeira é aquela oficina que nós conhecemos bem, oficina de trabalho, geralmente trabalhos manuais, mecânicos.

No contexto aqui, aplica-se a segunda acepção: seminário, encontro.
É o que diz o American Heritage Dictionary:

O Michaelis traduz assim:

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Que preposição!

A repórter trocou proposição por preposição na matéria sobre projeto do deputado federal Luiz Bassuma, do PT baiano.

Foto: Gustavo Pellizzon

O erro cometido no abre da matéria é repetido adiante.

A regularização da preposição não irá acabar com os problemas socioeconômicos do País.

Acesso à matéria por aqui: Projeto propõe parto anônimo

Diário do exagero



Capa do Diário dobra a perda salarial dos aposentados. Baseado unicamente na associação que congrega os aposentados, o jornal mais que dobrou as perdas. Disse na capa que elas chegam a 160%. O número não tem base em nenhuma informação. A manchete do caderno Negócios fala em 70%. Segundo o presidente da associação, as perdas variam de 65% a 67%.

Aí, o jornalista resolveu extrapolar, passou para 160%. Tenho quase certeza que não haverá correção amanhã na "Autocrítica".


Leia a matéria Aposentados encaram perdas de até 70%

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Raios e trovoadas


A cidade viveu dia de temporal ontem, tudo registrado nos jornais. Causou susto na cidade, ainda mais no jornal O Povo, alvo de dois raios, a que eu chamei de vingança do inverno, chamada de quadra chuvosa. Segundo eles, a tucanagem do nosso inverno é por causa de pitaco de um meteorologista.

Olha a ironia. Ontem foi um dia atípico, com muita chuva, raios e trovoadas. Sabe qual o prognóstico publicado na p.2 do Povo, no "Tempo no Ceará"? A mesma de ontem, de anteontem, a de todo dia, até sete dias atrás e mais (parei no dia 17) e também de hoje: nebulosidade variável com chuvas.

Curiosidade. Um texto que eu não havia lido. Agradeço ao blog do Wanfil pela dica. A visão de um estagiário do Povo. Ele não conseguiu encontrar pontos alagados na cidade. Talvez por causa disso, o fotógrafo Mauri Melo tenha conseguido a boa foto da capa do jornal. Como não encontraram alagamentos nas ruas, foram a Lagoa do Opaia, para cumprir a pauta. Sorte de estagiário?

Ele começa dizendo que não se espantou com as chuvas e trovoadas. O espanto, e enorme (bordão do Carlos Augusto Viana - Diário), do repórter foi com a falta de alagamentos. E passou a refletir com seus botões. Como pode ser visto aí.


Leia também A isenção engajada nos textos jornalísticos 2 , do blog do Wanfil.

Ambos em mais de dois?


No texto da chamada de capa do Diário:

Quatro rapazes e uma garota - ambos de classe média alta - foram presos...

O "ambos" se refere a que ou a quem?


Colaboração: Chico

Estimado Prestes

Uma redação, em nota oficial, da Secretaria de Educação de Fortaleza certamente perderia pontos numa prova. Prova do nível da educação de Fortaleza. O que significa a expressão "nossos mais estimados préstimos"? O adjetivo, sozinho, já seria estranho. Ainda mais no superlativo.
A nota foi publicada em todos os jornais de Fortaleza.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Questão errada

A Comunicado (Diário) traz uma denúncia grave. Estão usando até provas de seleção para fazer propaganda de Luizianne Lins. Foi no Imparh. Se não teve consentimento da prefeita, foi puxa-saquismo sem par, o responsável precisa ser punido. Se teve o conhecimento, a prefeita deve ser punida. Você acertaria esta questão?

Questão 37: A Prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins, instituiu, em 2007, um projeto que veio contemplar a camada pobre da população. Nesse projeto, uma vez por mês, o valor da passagem dos ônibus urbanos custa apenas um real. Marque a opção que traz o dia em que o projeto é posto em prática:
a) O primeiro domingo de cada mês;
b) O primeiro sábado de cada mês;
c) O último domingo de cada mês;
d) O penúltimo domingo de cada mês.

Pensamento em greve

Ai dos alunos da UVA se o seu aprendizado depender do ensinamento deste professor, que representa os demais. Olhe aí o que foi dito na p.11 do Diário:


O presidente do Sindicato dos Docentes da UVA (Sindiuva), Nicolau Bussons, explica que após uma assembléia entre os professores da instituição, na quarta-feira passada, o corpo docente decidiu continuar a greve. Porém, as aulas serão retomadas no dia 28 . “Caso não haja negociação, após 30 dias do retorno das aulas, a UVA voltará a greve”, explica.


Peraí, peraí, me explica mais uma vez.
O repórter só pode tá brincando com o professor (de que mesmo, hein?) Como é que a decisão foi continuar a greve se as aulas serão retomadas no dia 28? Como é que voltarão à greve se continuam em greve?

Se quiser conferir esse exercício de lógica, clique aqui Professores fecham via em protesto