sábado, 26 de abril de 2008

Faltou informação


Não há uma só linha, nos dois jornais cearenses, sobre a causa da morte de Demócrito Dummar. O Diário dedicou uma página inteira, com chamada na capa. Toda a capa do Povo e mais um caderno especial trataram do assunto. Silêncio sobre um detalhe que é do conhecimento geral e todos omitem. Isso é jornalismo?

Sabe-se que houve mais de dois tiros, o que poderia afastar a hipótese de suicídio. A Polícia esteve na casa, perícia no local, tomada de depoimentos. Com todo o merecido respeito ao grande homem da imprensa que sai de cena de forma trágica, o leitor não merecia mais informações?

7 comentários:

Anônimo disse...

Concordo plenamente. Pelo que se indica foi suicidio com mais de 2 tentativas... (pulmao, abdomen) e finalmente na cabeca..

Ana disse...

Caro André,

Casos de suicídio, mesmo que seja de um dono de jornal, geralmente não são publicados ou informados pelos veículos de comunicação. Alguns veículos adotam esta política e linha editorial porque existem estudos que comprovam que quanto mais se publica casos de suicídio, mais eles acontecem, como num efeito dominó. Não condeno a opção dos jonais, principlamente do O Povo. A morte da personalidade é mais importante do que o modus operanti em que aconteceu. Sou bem presente em sites de ou sobre jornalismo e, pelo que vi, o seu blog foi o único noticiar o fato de forma crua. Mas, como sua leitora, relevo o fato, uma vez que vc não é jornalista.

André Carvalho disse...

Cara Ana,
A imprensa costuma veicular a causa de morte, principalmente de pessoas importantes ou casos de impacto. Lembro rapidamente do caso do general brasileiro que se matou no Haiti. O Povo deu em manchete um homicídio seguido de suicídio na Base Aérea ( o jornal até trocou as bolas, invertendo as ações). Dito isso, fiquei curioso a respeito desse estudo que você citou do efeito dominó sobre veiculação de suicídios. Até já ouvi falar, mas nunca li nada a respeito. Você poderia me ajudar, indicando como eu poderia ter acesso a esse estudo?
Fico-lhe muito grato.

Alzira Aymoré disse...

Olá, André! Parabéns pelo blog! Esse problema foi discutido pelo jornalista Plínio Bortolotti, ex-ombudsman do jornal O Povo, quando questionado sobre noticiar ou não casos de suicídio. Independente disso, sua crítica faz sentido, pelo dever da informação. Alguns sites e blogs noticiaram, inclusive o meu. A questão é o sensacionalismo, a maneira como a notícia chega ao leitor. Ainda assim acho que a imprensa deve informar. Aqui está o link:
http://www.opovo.com.br/opovo/ombudsman/pliniobortolotti/537916.html
Abraços
Alzira Aymoré

Daniela disse...

Caro André, admiradora que sou do seu trabalho e lendo agora a análise, quase em tom de estudo, do Plínio Bortolotti, vejo que você está sendo imprudente no seu comentário. Demócrito Dummar era um ícone de humanidade, ética retidão e profissionalismo. Se seu ato impensado é divulgado, fatalmente estaria se incitando a ações parecidas, visto que seria muito comum uma pessoa menos preparada pensar: "se ele, que era quem era, fez, por que eu não posso fazer?". Mais cuidado com a sua luneta.

André Carvalho disse...

Cara Daniela,
Em sua homenagem, reli a análise de Plinio Bortolotti, cujo link Alzira Aymoré nos fez a gentileza de ofertar aí acima. Muito boa, mas insatisfatória. Ouviu três especialistas. Um deles citou o lvro de Goethe como indutor de suicídios, a imitar o gesto do herói do livro. Inadequado ao debate. Outro sugere a realização de um fórum, o que seria ideal. Foram ouvidos pelos jornalista e deram opinião pessoal, não se baseiam em fatos ou estudos. Sou totalmente contra dar de forma sensacionalista o assunto, da mesma forma que sou contra a sonegação da informação no caso de pessoas ilustres. A seguir sua regra, ainda hoje não saberíamos como morreu Getúlio. Se Demócrito era um ícone da humanidade, que dizer do líder trabalhista? Apesar da ampla repercussão e divulgação do tiro no peito de Getúlio não se tem notícia de imitadores de seu gesto.
Além do mais, os que acham Demócrito um ícone também têm conhecimento da forma como ele se matou. Portanto, respeito seu ponto de vista, mas mantenho minha posição.

Anônimo disse...

Estou acompanhando esta polêmica nos blogs, sites e portais em torno dessa problemática de noticiar suicídios, mais precisamente neste caso que para mim, parece bem próximo. Também não consigo discordar da sua opinião caro André. Penso e creio que vou continuar pensando que suicídio merecem um certo cuidado, claro, mas em casos de pessoas ilustres como foi Demócrito, foi até ridículo da parte do O Povo não se portar como um veículo de comunicação. Não é porque se trata do presidente que esta notícia não poderá ser feita. Pergunto-me quantos casos não foram ocultados? Quantos foram distorcidos? Levando-se em conta apenas a um estudo que não se sabe de onde veio? Exato. Aquele que todos repetem: o do contágio. Não concordo que o jornalismo seja baseado apenas a partir disso. Há outras questões que devem ser lembradas. A notícia pode se tornar preventiva, e por medo os jornais preferem evitar. Proponho um real estudo acerca da tal imitação, que aliás, um dos primeiros a falar de suicídio, o folósofo Durkhein, não confirmou em sua obra O Suicídio-Estudo de sociologia.
Outro questionamento é: se o O Povo oculta a morte do proprietário por questões quem sabe sentimentais, cabe a nós pensarmos onde estão os compromisso éticos do jornalismo? Na página do O Povo, na coluna Ombudsmam, está postado o código de ética dos jornalistas brasileiros. Não precisa ir longe para perceber que alguns artigos foram violados. Cadê o direito à informação que todo cidadão deve ter?Cadê a ética jornalistica em informar a verdade dos fatos? Tudo por água abaixo. Cabe repensar na forma de se fazer jornalismo. respeito ao suicida é uma coisa bem diferente do fazer jornalístico. Se se dizem uma empresa de comunicação, que assuma o trabalho. Inclusive quando doer.