domingo, 7 de outubro de 2007

Ombudsman de folga


Hoje o ombudsman abdicou de sua função.
O pretexto foi uma crítica de um professor de comunicação. Segundo o professor, a parceria da TV O Povo e TV Assembléia poria em dúvida a imparcialidade do jornal em relação à Assembléia.


Pronto, toda a coluna foi usada para combater o pensamento do professor e fazer a defesa, apaixonada, do jornal. Apesar de tentar demonstrar que O Povo não teme críticas, sugeriu que elas fossem direcionadas a outros jornais. Isto é fugir do assunto. Leia este trecho:

A propósito, creio que a universidade poderia organizar um debate sobre os meios de comunicação. Entre os temas poder-se-ia avaliar a influência que sofrem os jornais submetidos a injunções empresarias que nada tem a ver com o jornalismo, e as emissoras sob o mando de políticos, temas pouco questionados pela academia, pelo menos publicamente.
Perceberam? Ele diz que O Povo até erra, mas os outros erram mais. E, segundo ele, não estariam sendo questionados. E quer debate, pautado por ele.

O POVO não teme o debate. É um dos dois únicos jornais do Brasil a manter um ombudsman.
A diferença é que, no outro jornal, não há essa defesa apaixonado do veículo, é sempre mais crítico. Usar o ombudsman para pequenas críticas pontuais e este tipo de defesa alimenta o argumento de que a função do ombudsman é mais de marketing.

O que me parece injusto, verificando o panorama geral nesses dois anos e meio em que exerço a função de ombudsman, é que existe como que uma seletividade no olhar de uma parcela da intelectualidade cearense na crítica à mídia: miram O POVO como se fosse o único meio de comunicação do Ceará, esquecem-se convenientemente dos outros.
Que texto estranho esse, não é mesmo digno de um ombudsman. Desculpem, não mesmo. Olha só o que é dito: que os intelectuais só criticam O Povo, "esquecem-se convenientemente dos outros". Como diria o Faustão "ô louco, meu!". Que é isso, ombudsman? Você não vai querer que dirijam crítica dos outros veículos ao ombudsman do Povo. Como você sabe que os outros jornais não são também criticados? E ainda acusou os intelectuais de covardes com esse "convenientemente".

Não sei se isso acontece porque esses intelectuais acham que os outros meios de comunicação perderam completamente a credibilidade e não vale mais a pena discutir com eles ou se temem alguma retaliação, algo que no O POVO seria impensável, pois não o faz.
Viram só! Como o ombudsman acha que os intelectuais não criticam os outros jornais, ele resolveu fazer justiça com as próprias teclas. É que os outros jornais não teriam credibilidade (só O Povo, pois não?). Outra acusação: os outros jornais fazem retaliação. E fecha com declaração de amor: "algo que no O Povo seria impensável, pois não o faz".

Só para lembrar, neste blog (que não tem nada de intelectual) que faz crítica à mídia, o alvo maior é o Diário, porque erra mais. Não por conveniência.

É, o ombudsman, hoje, parecia estar de folga.

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